Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Covid-19

1.213 mortes de adolescentes que não viralizaram nas redes sociais

Tempos estranhos: bastou a morte de um adolescente — dolorosa é claro, mas sem nenhum nexo causal com a vacina claramente estabelecido — “viralizar” para o Ministério da Saúde recomendar a suspensão da imunização

Publicado em 23 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 set 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Vacinação
País iniciou a vacinação de adolescentes contra Covid, com a vacina da Pfizer, seguindo experiência exitosa dos EUA, do Canadá e de Israel Crédito: Raquel Portugal/Fiocruz
Em março de 2009, um surto de infecção respiratória foi identificado no México e logo relacionado a uma nova cepa de vírus da gripe A, H1N1, de provável origem suína. O surto rapidamente se disseminou nos EUA, Canadá e Europa e logo chegaria ao Brasil, com as facilidades criadas pela imensa e veloz malha aérea que une o planeta. Em junho de 2009, a OMS elevou o nível de alerta pandêmico para 6 (o mais alto), e uma intensa pressão de opinião publica logo surgiu na mídia clamando por uma vacina.
A tradicional tecnologia de produção de imunizantes de influenza, a partir de embriões de aves, demoraria pelo menos seis meses para dispor de vacinas para a nova cepa circulante de AH1N1, e um pouco mais de tempo para produção das mesmas em escala industrial.
Tão logo a distribuição e a aplicação das novas vacinas de gripe se intensificaram, também se multiplicaram relatos e denúncias de efeitos “esquisitos” supostamente causados pelas mesmas. Entre os mais curiosos, um chamava a atenção pelo ineditismo e folclore: que as pessoas vacinadas começavam a andar para trás de modo incontrolável, pelas ruas e pelos parques.
Foi com ironia que, em editorial, a principal revista cientifica médica dos EUA, a NEJM, comentou que as mesmas redes sociais que denunciavam a suposta fabricação dos novos vírus da gripe em laboratórios da indústria e exigiam providências passavam a culpar as vacinas pelos efeitos mais malucos inventados.
O Brasil e o mundo vivem agora uma pandemia muito mais devastadora do que o susto provocado pela gripe suína, mas com vacinas bastante eficazes. Recentemente, o país iniciou a vacinação de adolescentes contra Covid, com a vacina da Pfizer, seguindo experiência exitosa dos EUA, do Canadá e de Israel, medida crucial para conter o surto epidêmico e reduzir risco para os avós, estes, ainda sem a terceira dose em larga escala.
Pois bastou uma morte de um adolescente, dolorosa é claro, mas sem nenhum nexo causal com a vacina claramente estabelecido, “viralizar” nas redes sociais para o Ministério da Saúde recomendar a suspensão da imunização de modo bem atabalhoado. Não importa que o Boletim Epidemiológico oficial, do mesmo ministério, contabilize 1.213 mortes por Covid na faixa até os 19 anos de idade, apenas em 2021. São 1.213 vidas precocemente interrompidas. Essas mortes não “viralizaram” nas redes sociais. Tempos estranhos esses!

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Papa Leão XIV
O silêncio que grita: Robert Francis Prevost e a nova diplomacia da fé
Imagem de destaque
Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 20/04/2026
ferrovia
Novo ramal ferroviário de Aracruz precisa deixar de ser só uma ideia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados