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Segurança pública

Tendência é de queda no ES, mas combate à violência continua prioritário em 2026

As estatísticas registraram que em novembro ocorreu, na terra capixaba, a menor quantidade de homicídios em 29 anos

Públicado em 

05 dez 2025 às 03:30
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

É verdade que a quantidade de mortes violentas tem diminuído no Espírito Santo. Nos últimos quatro anos, a redução de homicídios foi de 23%. E a tendência é de queda, como revelam as estatísticas que registraram que em novembro ocorreu, na terra capixaba, a menor quantidade de homicídios em 29 anos. A previsão é a de que 2025 se encerrará, no Estado, com uma redução de 5% nos homicídios em relação ao ano passado. A redução dos feminicídios deve ser ainda maior, 22,5%, segundo estima o secretário Estadual de Segurança.
Mas também é verdade que ainda há muito o que fazer na área de segurança pública na nossa terra. Basta comparar nossos números com a média brasileira. Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça, compilados de janeiro a setembro de cada ano, revelam que a taxa de mortes violentas intencionais a cada 100 mil habitantes do Espírito Santo (21,2) é maior que a média do país (18,9) e a média da Região Sudeste (12,4). E que no ranking nacional, o Espírito Santo ocupa o modestíssimo 15º lugar entre os 27 estados. Têm taxas inferiores ao nosso Estado unidades da federação de maior porte, como São Paulo (7,0), de porte mediano como Santa Catarina (7,5) ou de pequeno porte como Sergipe (20,4).
E mais: mesmo com a redução na quantidade de assassinatos, o Espírito Santo não está entre os estados que mais reduziram a violência. O primeiro no ranking do Sinesp, considerados os números entre janeiro a setembro de 2019 e o mesmo período de 2025, é Goiás (redução de 36%). O nosso Estado não figura entre os dez estados que mais reduziram a violência no Brasil. A redução da taxa de mortes violentas intencionais no Espírito Santo, segundo o Sinesp, é inferior até a do Rio de Janeiro.
Esses números só fazem comprovar o que já se sabia há muito tempo: o tráfico de drogas, principal vetor da violência brasileira, está muito presente no território capixaba e precisa ser combatido com inteligência, tecnologia e efetividade na investigação e repressão policiais. E também com a ampliação da presença do poder público nos territórios mais vulneráveis socialmente, através da educação, cultura e oportunidades de emprego.
Viatura da Polícia Militar; viatura; Polícia Militar
Viatura da Polícia Militar Crédito: Wilson Rodrigues
A proximidade do Espírito Santo com o Rio de Janeiro torna o Estado ainda mais exposto ao tráfico de drogas e à ação das milícias e, em consequência, à violência. A megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, em outubro, identificou que chefes do tráfico capixaba estavam escondidos nas favelas cariocas. A recíproca — chefes do tráfico carioca se escondem no Espírito Santo — também é verdadeira.
Resumo da ópera: o combate à violência deve ser prioritário e não deve esmorecer. Não é sem razão que pesquisa da Genial/Quaest, feita entre 2 e 5 de outubro, demonstrou que a violência é o que mais preocupa o brasileiro (30%), percentual superior ao dos problemas sociais (18%), economia (16%), corrupção (14%), saúde (11%) e educação (6%).
É sinal que, quem vai disputar cargo público no ano que vem, não pode deixar de considerar essa nossa triste realidade.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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