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Economia

Plano Real, 30 anos depois: o Brasil é capaz de vencer grandes desafios

As comemorações dos 30 anos do Plano Real devem servir como oportunidade para rememorar a trajetória vitoriosa do combate à inflação

Públicado em 

05 jul 2024 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

A Argentina patina em uma gigantesca crise com uma inflação anualizada em torno de 200%, a maior do mundo em 2023. Antes do Plano Real, o Brasil vivia um período de uma inflação muitas vezes maior, chegando a 6.000% em 1990 e 4.000% – algo próximo de 50% ao mês – em 1994. Foi nessa época, há 30 anos, que o Plano Real chegou para acabar com essa hiperinflação que asfixiava o país, acentuava a desigualdade social e condenava os brasileiros a viver em uma nação sem futuro, já que era impossível planejar qualquer investimento, fosse ele público ou privado, em um ambiente de incertezas.
Era a época em que os salários eram cotados em milhões de cruzeiros e o barulho das máquinas de remarcação de preços estava presente em todas as horas do dia nos supermercados. Os preços subiam a cada dia – talvez fosse mais apropriado dizer a cada minuto – e ninguém, fosse o consumidor ou o comerciante, tinha certeza se eles eram o preço correto e justo. Imaginem a dificuldade de fazer um orçamento para a construção de uma casa ou de um edifício de apartamentos, por exemplo.
Vivi esse momento da história do Brasil, onde não havia lugar para a esperança, considerando a frustração experimentada com os planos econômicos que se sucederam desde a década de 1980, quando a inflação ultrapassou a marca dos 100% ao ano. O Plano Cruzado, de Sarney, tabelou os preços e naufragou pouco tempo depois das eleições de 1986, fracassos repetidos nos Planos Bresser (maio de 1987) e Verão (janeiro de 1989). Collor confiscou a poupança e seus dois planos (I e II) tentaram em vão repetir as fórmulas anteriores. Era, então, difícil acreditar que o Plano Real, gestado por uma equipe de economistas montada por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, conseguisse fazer algo diferente e eficaz naqueles primeiros meses de 1994.
E não é que a fórmula mágica por eles criada deu certo? Primeiro, criar uma moeda de transição, a URV, Unidade Real de Valor, que tinha uma cotação diária em cruzeiros reais – tendo como referência o dólar –, que perdurou por quatro meses (de 1º de março a 30 de junho de 1994), durante os quais os preços eram anunciados nos dois valores, em URV e em cruzeiro real (CR$). Em seguida, no dia 1º de julho, os preços passaram a ser anunciados em reais (R$) e a caixinha de leite integral que custava 1 URV passou a ser vendida a R$ 1,00. Eu só acreditei no sucesso do Plano Real quando vi que nos dias seguintes o preço do leite continuava a ser R$ 1,00; e que duas semanas depois ele havia baixado para R$ 0,98. Para quem só conhecia remarcações para cima, uma redução de R$ 0,02 no preço de um produto era um milagre.
É claro que não bastou apenas a mágica dos economistas para que o Plano Real fosse um sucesso. Antes o governo já havia feito um ajuste vigoroso nos gastos públicos ao mesmo tempo em que implementava uma bem concebida política de privatizações e de blindagem do setor bancário com Proer, Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Bancário Nacional.
economia também foi, em boa parte, desindexada, minimizando os efeitos dos reajustes automáticos, ao lado do incentivo à abertura econômica das trocas comerciais com outros países. E o passo mais decisivo foi a adoção da Lei de Responsabilidade Fiscal, proibindo os governos de todas as esferas – federal, estaduais e municipais – de gastar mais do que arrecadavam, punindo os gestores públicos que desrespeitassem os limites estabelecidos.
Foram decisivas também a instituição das metas anuais de inflação e a independência do Banco Central com poderes para monitorar o cumprimento das metas através da política monetária que utiliza como instrumento a taxa básica de juros. Por isso, as comemorações dos 30 anos do Plano Real devem servir como oportunidade para rememorar a trajetória vitoriosa do combate à inflação, mostrando que o nosso Brasil é capaz de vencer grandes desafios.
É uma oportunidade, também, para se contrapor àqueles que, como o presidente Lula, teimam em apostar na fórmula inversa do aumento dos gastos públicos, na estatização da economia e na politização do Banco Central e das estatais como caminho para promover o desenvolvimento do país.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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