No último mês de maio, o Brasil registrou uma inflação acumulada em 12 meses de 3,93%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse desempenho, a inflação oficial, que é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou acima da meta (3,00%) e abaixo do teto da meta (4,50%). Tais valores estão definidos pela Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) nº 4.918/2024.
O monitoramento das metas de inflação (1) se tornou possível graças ao marco histórico da implementação do Plano Real, que no dia 1º de julho completou três décadas de avanços na economia brasileira. A cultura da responsabilidade fiscal (2) e a gestão do câmbio flutuante (3) foram outros aprimoramentos alcançados com a consolidação do Real. Juntos, esses componentes estruturam o tripé macroeconômico, modelo de política econômica que vem perpassando governos e sendo mantido desde o final da década de 1990.
Esse modelo pode ser considerado um dos legados do Plano Real, que simbolizou uma virada de chave na política monetária e nas estratégias macroeconômicas do país. Antes do Real, nas décadas de 1980 e 1990, a população sofria com o descontrole inflacionário herdado do regime militar e com os impactos de planos monetários que fracassaram e geraram fortes efeitos colaterais. O Plano Collor de 1990 chegou ao ponto de confiscar a poupança bancária dos cidadãos, o que resultou em falências e até mesmo casos de suicídios.
Sem estabilidade monetária, o Brasil sofria com baixo crescimento econômico, elevadas taxas de desemprego, pobreza e miséria e, também, com a crise da hiperinflação, que ultrapassou os 2.500% ao ano naquela época difícil.
O Plano Real foi concebido no governo Itamar Franco, que contava com Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda. Em comparação com os planos monetários anteriores, o Real foi estruturado de forma lógica e transparente, contou com uma fase de transição e foi bem comunicado, o que contribuiu para ganhar credibilidade com a sociedade.
Com o sucesso da implementação do Plano Real, o Brasil alcançou a tão sonhada estabilidade monetária e o controle da inflação. A partir disso, o processo de aprimoramento dos mecanismos macroeconômicos foi evoluindo com o tempo.
Desde o período colonial brasileiro, o Real é a 12ª moeda. Também pode ser considerada a mais longeva moeda desde a redemocratização, um marco histórico que merece ser celebrado. Que venham mais 30 anos de estabilidade monetária, viva o Real!