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É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço. Escreve às sextas

Para que servem realmente as pesquisas eleitorais?

Sondagem não é feita para antecipar o resultado do pleito e sim para mostrar o cenário no momento em que foi realizada

Publicado em 13/08/2021 às 02h00
Pesquisa
Pesquisas servem para informar eleitores, candidatos e partidos políticos sobre a situação do momento em que foi realizada. Crédito: Pixabay

A classe política, mesmo após tantos anos de prática da democracia, ainda demonstra que não entende a utilidade das pesquisas eleitorais que investigam a intenção de voto dos eleitores. Ela continua achando que as pesquisas são um instrumento de propaganda política, tanto que há proposta, incluída no projeto que pretende mudar o Código Eleitoral que tramita na Câmara dos Deputados, de proibir a divulgação de pesquisas nas 48 horas anteriores ao pleito.

O pressuposto no qual se baseiam os autores da proposta é o de que as pesquisas favorecem os candidatos que são apontados como os que possuem maior intenção de votos, já que os eleitores teriam a tendência de votar nos prováveis vencedores “para não perder o voto”. Esse pensamento desconsidera os numerosos casos em que candidatos com baixo percentual de intenção de votos ganham posições ao longo da campanha eleitoral e, ao final, se consagram como vencedores do pleito.

Basta lembrar algumas ocorrências emblemáticas como as das votações obtidas em 2018 pelos candidatos a governador Wilson Witzel, no Rio, e Romeu Zema, em Minas, que venceram as eleições embora as pesquisas indicassem que eles teriam um percentual muito menor de intenção de votos. E nem é correto afirmar que, nesses casos, os institutos de pesquisa erraram porque pesquisa não é feita para antecipar o resultado do pleito e sim para mostrar o cenário no momento em que foi realizada.

As pesquisas servem para informar eleitores, candidatos e partidos políticos sobre a situação do momento em que foi realizada. É um retrato e, como lembrou certa vez Ciro Gomes, a vida não é um retrato, mas um filme que muda a todo instante. As pesquisas são úteis para identificar tendências que se consolidam ou podem ter inflexões de acordo com a evolução das campanhas e do comportamento dos políticos e eleitores.

Mas os políticos não conseguem enxergar essa obviedade, tanto que na proposta do novo Código Eleitoral foi incluída a exigência de um “percentual de acerto” que comprovaria a qualidade dos institutos de pesquisa. Trata-se de um absurdo que revela o grau de incompreensão dos autores da proposta com relação ao fato de que as pesquisas, e tampouco os institutos que as realizam, não têm a pretensão ou a intenção de prever o resultado de uma eleição.

As pesquisas se prestam a dar uma informação a mais à sociedade. Informados, os partidos e seus candidatos podem traçar melhor as suas estratégias de campanha. E os eleitores ganham melhores condições de, com mais informação, decidirem o voto. Podem, eventualmente, até decidir votar no candidato que esteja em primeiro lugar, mas podem também fazer parte de reviravoltas eleitorais espetaculares que tantos resultados surpreendentes já provocaram. É essa informação que, tantas vezes, transforma pequenos córregos em rios caudalosos de “votos úteis” que acirram a competição na reta final das campanhas.

Felizmente, ainda há tempo para que, mais bem informados, os parlamentares rejeitem a proibição da divulgação das pesquisas nas vésperas das eleições, proposta que não merece prosperar em favor da democracia.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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