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Comunicação

O rádio completa 100 anos provando que soube se reinventar

O rádio foi capaz de transformar a concorrente internet em uma aliada e continua forte e perto de nós. E será, estou certo, ainda por muito tempo, “o nosso companheiro de todas as horas”

Publicado em 09 de Setembro de 2022 às 00:05

Públicado em 

09 set 2022 às 00:05
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa
Muito se falou, quando surgiu a televisão, que o rádio desapareceria. Afinal, se alguém, com um televisor, poderia ver a imagem além de ouvir o som de um evento, por que se contentaria em somente ouvir uma voz ou uma música no rádio? De fato, a partir da popularização da televisão no Brasil, nas décadas de 1950 e 1960, o rádio perdeu audiência e viu os seus programas mais populares – como os de auditório, as radionovelas, os humorísticos e as transmissões esportivas – migrarem para a TV. Parecia, de fato, que o rádio iria desaparecer.
Hoje, 70 anos depois, é possível afirmar que nunca se ouviu tanto rádio quanto agora. O rádio se reinventou e se já não reina absoluto na área da informação e do entretenimento como ocorria na sua era de ouro – anos 1940, 1950 e 1960 – continua vitorioso como meio de comunicação popular que é captado nos mais longínquos recantos do planeta. Nessa reinvenção, mudou até a forma de o seu sinal chegar às pessoas: ele não é mais sintonizado no aparelho de rádio que ficava na sala das casas, mas sim no rádio do carro, nos computadores pessoais e nos aparelhos celulares.
Um dia desses uma amiga me contou que procurou, no comércio, um aparelho de rádio para comprar – já que gosta de ouvir rádio em casa –, e não encontrou. Adaptou-se à nova realidade e passou a ouvir a programação da sua emissora favorita através do aplicativo da rádio que baixou no celular. No carro, o rádio já fica sintonizado na emissora de notícias que é ouvida logo após o motor do veículo ser acionado.
Cheguei a testemunhar parte da era de ouro do rádio brasileiro. Fui ouvinte assíduo dos programas da Rádio Nacional – "Balança mais não cai", "Papel carbono", "César de Alencar", "Repórter Esso" (na voz de Heron Domingues) e as transmissões de futebol de Jorge Cury –, e das jornadas esportivas de Oduvaldo Cozzi na Rádio Tupy. Ouvia “Varig é dona da noite”, na Rádio Jornal do Brasil, e “O Globo no ar”, noticiário da Rádio Globo. Do rádio capixaba, acompanhei a trajetória de muitos programas, entre os quais o “Boa tarde, minha ouvinte”, de Eleisson de Almeida, e o “Clube da boa música”, de Oswaldo Oleari, ambos na Rádio Capixaba, e o “Música para o seu almoço”, da Rádio Difusora de Cariacica. As transmissões esportivas eram do “Escrete de Ouro” da Rádio Vitória.
Faço essas considerações para registrar o centenário da chegada do rádio no Brasil. Foi em 7 de setembro de 1922 que foi realizada a primeira transmissão a distância e sem fios no Rio de Janeiro, com um discurso do presidente da República Epitácio Pessoa. Para marcar a data, a Abert, Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV, está promovendo a Mostra Rádio em Movimento, associando a iniciativa à Semana de Arte Moderna que também ocorreu há cem anos.
A mostra conta com a participação de artistas plásticos brasileiros – três de cada Estado da federação – que personalizaram rádios capelinha, modelo mais popular de receptor de rádio na década de 1940. Os trabalhos dos artistas serão exibidos no site da Abert (www.abert.org.br) até o dia 25 de setembro, com a população podendo escolher, através de votação, as obras que representarão cada um dos Estados na finalíssima no Museu Nacional de Brasília. Os artistas capixabas que participam da mostra são Emílio Aceti (“Rádio Pop”), Luciano Boi (“O Rádio e a Semana de Arte Moderna”) e Kleber Galveas (“Voz Capixaba”).
O rádio, que foi capaz de transformar a concorrente internet em uma aliada, continua forte e perto de nós. E será, estou certo, ainda por muito tempo, “o nosso companheiro de todas as horas”.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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