Alguns falam que “falta articulação” ao governo Bolsonaro e, por isso, a proposta da Nova Previdência não anda. Outros dizem que “sem uma articulação política forte de fato, é difícil tocar e ter sucesso na reforma”. E, então, ficamos assim: a oposição - só pensando no “quanto pior, melhor” - obstrui o quanto pode a tramitação da proposta, como aconteceu na última terça-feira, 9, quando um deputado gritou tanto que a sessão da Comissão de Constituição e Justiça foi suspensa.
Enquanto isso, boa parte dos parlamentares que estão dispostos a aprovar a proposta fica esperando a tal “articulação política”. Bolsonaro, várias vezes, já se referiu a este comportamento como típico da “velha política”. Ou seja, mesmo conscientes de que a aprovação da reforma da Previdência é essencial para o desenvolvimento do país - porque é decisiva para o equilíbrio das contas públicas -, muitos deputados agem como se estivessem esperando alguma contrapartida para votar a favor. Ou seja, tratam um projeto importante para o Brasil como se fosse um projeto importante só para o governo.
Ao comentar o declínio da produção industrial do Espírito Santo decorrente da redução das operações da Vale afetadas pelo rompimento da barragem de Brumadinho, o presidente da Federação das Indústrias do ES, Léo de Castro, foi incisivo: “A sociedade precisa cobrar dos atores políticos o enfrentamento dos problemas centrais do país, e hoje o central é a reforma da Previdência”.
Bolsonaro, sabemos todos, não é habilidoso na condução política do seu governo. Ao contrário, suas manifestações geralmente causam mais estragos do que ajudam os entendimentos. Mas, como diz o presidente da Findes, cabe aos políticos assumir o seu papel de tomar decisões em favor da sociedade. Os 13 milhões de brasileiros desempregados não podem esperar indefinidamente por uma discussão interminável em um Congresso que vive suspendendo suas sessões por causa de tumultos fabricados por uma minoria.
Há quem ache que o governo só governa de fato se construir apoios já que temos um “presidencialismo de coalizão”. Um cientista político chegou a defender “um arranjo” em que “os recursos de poder e financeiros sejam divididos de forma proporcional com os parceiros”. Melhor definição para o exercício da “velha política” não há.
Se o preço da aprovação da reforma da Previdência for o “toma lá dá cá”, o país estará se condenando a se afogar de vez nas dívidas e na falta de dinheiro para cumprir as suas mais elementares obrigações. Entre as quais, manter os serviços públicos essenciais e pagar servidores e aposentados.