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Memória

O jazz e a bossa nova do saudoso Luiz Paixão

Paixão, a quem também chamávamos de Bill, se foi aos 96 anos, no dia 1°, deixando uma saudade imensa em todos nós, seus amigos e admiradores

Publicado em 11 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

11 jun 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Data: 16/09/2019 - ES - Vitória - Luiz Paixão, aposentado e amante da música - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini - GZ
Luiz Paixão mostrou seu acervo em foto de 2019 Crédito: Vitor Jubini
Luiz Paixão, relembram seus amigos, costumava distribuir cópias de CDs com preciosidades do jazz e da bossa nova. Fui um dos privilegiados por ganhar vários desses CDs e alguns DVDs com filmes recheados de boa música, como “La La Land” e “Quando as Nuvens Passam”.
O mais saudoso dos CDs, sem dúvida, é o que Luiz Paixão gravou com Jorge Saadi em 2010. Nele, Paixão interpreta clássicos como “All of me”, “You go to my head”, “Blue moon”, “It’s wonderful”, “Marina” (que Paixão fez uma versão da letra em inglês), “As time goes by” e “You’ll never know”, e Jorginho Saadi apresenta composições de sua autoria, como “Viver Vitória” e “Costa Pereira”, além de “Devaneio”, de Cariê Lindenberg.
Paixão, a quem também chamávamos de Bill, estava sempre por perto dos bares de boa música no Triângulo das Bermudas, como o Jazz Café. Ele morava nas proximidades e fosse qual fosse a noite, se aproximava e, com sua voz mansa, engatava histórias deliciosas sobre música, os astros do jazz e da bossa nova e a sua relação com eles.
A convite de Paixão, visitei a sua casa e, nela, o seu estúdio, “o seu mundo encantado”, como definiu José Roberto Santos Neves. Valho-me do texto de José Roberto para descrever esse “mundo encantado”: “LPs pendurados na parede, milhares de discos espalhados, aparelhagem de som, DVDs, dois toca-discos e vídeos de musicais americanos das décadas de 40 e 50”.
Ali ficamos um par de horas enquanto Bill reproduzia músicas maravilhosas e exibia orgulhoso os autógrafos de ícones do jazz que obteve nos seis meses que passou nos Estados Unidos, de agosto de 1955 a março de 1956 – “eu estava lá, no tempo certo”, dizia – e quando alguns deles se apresentaram em Vitória.
Nas duas últimas semanas li e reli textos maravilhosos sobre Luiz Paixão escritos por jornalistas e alguns de seus muitos amigos. Foi quando conheci o ótimo documentário “Luiz, Paixão pelo Jazz”, de Eurico Scaramussa, de 2018. Lá, entre outras preciosidades, estão algumas das canções amadas por Bill, interpretadas por Dave Brubeck, Dizzy Gillespie, Billie Holiday, Sarah Vaughan e pelas “big bands”, e fotos na companhia de Leny Andrade, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Moacir Barros, Cariê Lindenberg e Marien Calixte.
Conheci também, e adorei, o delicioso clipe de “Minha Bossa”, música de Filipe Dias com letra de Paixão, de 2016, com a participação de Victor Humberto no violão e as vozes de Andrea Ramos, Eliane Gonzaga e Marcia Chagas.
O clipe e o documentário podem ser vistos na bela reportagem de Gustavo Cheluje publicada em A Gazeta. Vale a pena ainda uma visita ao grupo “Luiz Paixão – o eterno professor” criado em 2019 no Facebook por Victor Humberto Salviato Biasutti.
Bill se foi aos 96 anos, no dia 1º, deixando uma saudade imensa em todos nós, seus amigos e admiradores.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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