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Luiz Paixão
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2021

"Jazzófilo": Luiz Paixão morre aos 96 anos em Vitória

Referência da música no ES faleceu em casa

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 01/06/2021 às 13h13

Amante do jazz, e com vasto conhecimento do estilo musical que consagrou nomes como Ella Fitzgerald e Billie Holiday, Luiz Paixão morreu na manhã desta terça-feira (1), aos 96 anos. De acordo com familiares, o estudioso da música faleceu em casa, em Vitória, por conta de uma broncopneumonia aspirativa, ao lado da filha, Gilda Paixão. 

O sepultamento acontece ainda nesta terça, às 16h, no Cemitério Parque da Paz, em Ponta da Fruta, Vila Velha. Por conta das medidas sanitárias e restritivas relacionadas à Covid-19, o enterro será restrito aos familiares e pessoas próximas. 

Ex-professor de inglês aposentado, Luiz Paixão costumava dizer que "o jazz é como um alimento que penetra a minha alma... O mundo sempre desaparece quando ouço", afirmou, em entrevista ao jornal A Gazeta, em setembro de 2019, a última concedida pelo "jazzófilo" ao veículo.

O capixaba construiu um templo sagrado da música em sua simpática casa no agitado Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto. Em um quarto especial, guardava milhares de discos de vinil, CDs, DVDs, pôsteres e um computador com uma gravadora embutida, que servia para fazer cópias de suas raridades para presentear os amigos. "A melhor coisa que a tecnologia pode fazer para a música", afirmou, na época.

Compadre do poeta e compositor carioca Vinícius de Moraes, Paixão conseguiu feitos memoráveis, como jogar xadrez com o trompetista Dizzy Gillespie e ciceronear David Brubeck por Vitória, quando o lendário pianista tocou na Universidade Federal do Espírito Santo, em 1978.

Apaixonado por mestres do jazz, Luiz guardava com orgulho o seu maior tesouro (como fazia questão de afirmar), uma coleção de autógrafos que ganhou de artistas – músicos ou não – que admirou ao longo da vida. Entre suas coleções de assinaturas, estavam gênios como Gene Krupa, Buddy Rich, Ella Fitzgerald, Ray Brown e Oscar Peterson.

Paixão chegou a fazer amizade com Billie Holiday, como explicou durante o bate-papo com A Gazeta. "Isso foi em Cleveland, em 1956. Ela se apresentava em um café. Fui falar com o seu agente e ele me levou ao camarim. Billie estava com um cachorro, um simpático chihuahua chamado Pepe. O bicho foi com a minha cara! Billie Holiday levou um susto e me disse que o animal estranhava todo mundo. Ela me deu uma missão: tomar conta dele enquanto o show rolava", relembrava, com carinho e nostalgia.

Em 2010, optou por não deixar que seu fascínio por jazz e Bossa Nova ficasse restrito ao seu santuário.  Resolveu encarar o microfone e gravou seu primeiro CD, em que apresentou 12 faixas com o acompanhamento do pianista Jorge Saadi. No repertório, "Devaneio", de Cariê Lindenberg; "As Time Goes By", tema de do filme "Casablanca"; e as inéditas "Viver Vitória" e "Costa Pereira", do próprio Saadi.

Sobrinha de Luiz Paixão, Leila Barros ressaltou sua importância para música capixaba e nacional. "Sem dúvidas, foi uma das pessoas que mais entendia de música no Estado. Luiz Paixão respirava isso, pois viveu a melhor época da cultura nacional. Nos anos 1950, por exemplo, viu a Bossa Nova nascer de perto", complementa.

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