Na véspera do dia Dia do Trabalho, o IBGE confirmou aquilo que todos os brasileiros já sabiam: o desemprego cresceu no país, chegando a 12,7% no trimestre encerrado em março, atingindo 13,4 milhões de pessoas. Trata-se da maior taxa desde o trimestre terminado em maio de 2018. A renda média dos brasileiros, estimada em R$ 2.291, está estagnada há quase dois anos. Basta ver no comércio as lojas fechadas para se constatar que esses números são reais.
Esta deveria ser a maior preocupação dos dirigentes do país, estejam eles no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário. Deveria. Mas não é isto o que acontece neste país tropical abençoado por Deus. O Supremo Tribunal Federal, por exemplo, no dia 25, decidiu (por 6x4) que empresas fora da Zona Franca de Manaus que comprem lá insumos sem a incidência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) podem receber crédito pelo tributo. Resultado da decisão: menos R$ 16 bilhões por ano nos cofres do governo federal.
Quando se sabe que a renúncia fiscal da Zona Franca de Manaus é hoje de R$ 25 bilhões/ano, dá para se ter uma ideia do tamanho do novo rombo. Um dos quatro ministros cujos votos foram vencidos chegou a dizer que o crédito não faz o menor sentido porque é fictício já que o valor não foi recolhido. “É um custo duplo”, explica a jornalista Míriam Leitão: a União abre mão do imposto na Zona Franca e agora o crédito do adquirente em qualquer estado do país virará moeda para pagamento de impostos.
Enquanto isto, no Congresso, os parlamentares “enforcam” a semana por causa do Dia do Trabalho prolongando ainda mais a tramitação da reforma da Previdência, mesmo sabendo que ela é essencial para equilibrar as contas públicas, passo decisivo para a retomada do desenvolvimento. Se não bastasse terem gasto oito semanas para aprovar a proposta na Comissão de Constituição e Justiça, onde só caberia apreciar a sua constitucionalidade, os parlamentares mostram inapetência de votá-la na Comissão Especial que decidirá o mérito.
Os motivos da lentidão da tramitação são vários, a maioria deles mal explicada. Mas alguns são explícitos: um grupo quer retirar da reforma os governos estaduais e municipais para que o “desgaste” da aprovação fique com os deputados estaduais e não com eles, federais. Outros, como Paulinho da Força, não escondem também razões eleitorais: para ele, a reforma precisa ser “desidratada” porque a sua aprovação conforme proposta geraria uma economia tão significativa que reelegeria Bolsonaro em 2022.
Enquanto isso, o brasileiro tenta, desesperadamente, sobreviver neste país sem emprego.