O governo Temer, como diz o comentarista da Globonews e da CBN, João Borges, ficou marcado por dois maios. No primeiro, o de 2017, a divulgação de gravação feita pelo empresário Joesley Batista de uma conversa com o presidente nos porões do Palácio Jaburu, explicitando uma proximidade promíscua com o poder, e de um vídeo em que um deputado amigo do presidente corria após receber uma mala com R$ 500 mil, jogou o governo às cordas. Temer só não foi a nocaute por causa do apoio que recebeu dos deputados do Centrão, que impediram que as flechas do procurador Rodrigo Janot atingissem o seu coração. O maio de 2017 escancarou para todos os brasileiros as vísceras apodrecidas da área política do governo Temer.
No segundo maio, o de 2018, a greve dos caminhoneiros paralisou o país por 11 dias impedindo que a recuperação econômica – o melhor legado do governo Temer – fosse maior do que de foi. Os expressivos resultados alcançados pela política econômica do governo Temer são de fato admiráveis: redução da inflação de 10% para 4% ao ano (abaixo da meta, o que há muito não acontecia no país), diminuição da taxa referencial de juros de 14,25% para 6,5% (o menor nível da história) e o fim da recessão (o PIB que era negativo em 2015 e 2016, acumulando uma variação de -7%, saltou para 1% em 2017 e 1,4% em 2018). É possível afirmar que se a greve dos caminhoneiros não tivesse ocorrido, freando o crescimento econômico brasileiro, o PIB teria tido, em 2018, o dobro do crescimento que teve.
É importante acrescentar à lista de conquistas de Temer na economia a contenção do crescimento do déficit das contas públicas – graças à aprovação do teto de gastos – que só não foi maior pelo naufrágio da proposta de reforma da Previdência provocado pela gravação de Joesley e pelas flechas de Janot. Está talvez aí o maior mérito da equipe econômica de Temer: ter alcançado tantos resultados positivos ao meio de tanta turbulência política. As melhorias só não chegaram, com a intensidade desejada, ao mercado de trabalho porque o emprego é o último a reagir em um processo de retomada de crescimento econômico.
O lado político apodrecido do governo e a freada brusca na economia provocada pela greve dos caminhoneiros são os principais responsáveis pela impopularidade recorde de Temer que chegou, em outubro, a 74%. Se a história, contudo, cuidar de separar o desempenho dos seus dois governos – o político e o econômico –, haverá de fazer justiça à sua equipe econômica que, ao consertar parte dos estragos do desgoverno Dilma, fez renascer a esperança de que dias melhores virão para as famílias brasileiras.