Com todo respeito aos sindicalistas, notadamente os abrigados sob o manto da CUT, as manifestações por eles promovidas necessitam passar por um bom banho de marketing. Se, como diz Gil Nuno Vaz, o esforço de marketing deve perseguir os resultados mercadológicos desejados, é razoável supor que o objetivo dos nossos sindicalistas seja o de ganhar apoios da população para as teses que defendem.
Se assim o é, é preciso reconhecer que as estratégias e táticas utilizadas por eles não estão tendo o direcionamento mais adequado, a julgar pelo ato promovido na sexta-feira da semana passada, dia 14.
A começar pelo nome escolhido para divulgar a ação, o de “greve geral”. Convenhamos, naquele dia houve de tudo – manifestação, protesto, ato político, movimento etc –, menos greve. Greve é uma paralisação voluntária e coletiva.
No dia 14, quem fez paralisação foi uma minoria, mil pessoas segundo os organizadores. Seria melhor, portanto, chamar o movimento de “protesto” ou “manifestação”, que denotaria sinceridade e estaria mais de acordo com a realidade.
Os sindicalistas deveriam também repensar a data da manifestação. Fazê-la em dia de semana, prejudicando a atividade de outras pessoas, traz um efeito inverso ao desejado pelos promotores. Um ato de protesto sempre afeta o direito de ir e vir de alguém. São aulas, consultas médicas, compromissos e negócios perdidos, acarretando aborrecimentos nas pessoas afetadas. Se o propósito é angariar simpatia, este objetivo estará prejudicado. Manifestações promovidas por outros organizadores demonstram que o domingo é uma data mais adequada para atos desta natureza porque, sendo um dia de descanso e não e trabalho, causam menor transtorno.
Por fim, é necessário repensar a tática utilizada pelo movimento. Bloquear pontes, avenidas e rodovias importantes para as cidades potencializa o transtorno. O movimento que anuncia ser a favor dos trabalhadores acaba prejudicando os próprios trabalhadores. Foi o que se viu no dia 14 quando milhares de trabalhadores foram obrigados a andar quilômetros a pé para chegar ao seu destino.
Queimar pneus nas ruas e jogar pedras e esvaziar pneus de ônibus fazem o movimento derivar para o vandalismo. Não foi por outra razão que 13 pessoas foram conduzidas a delegacias na Grande Vitória por “provocar incêndio, atentar contra a segurança viária e promover associação criminosa”.
Por isso, seria bem-vinda uma autocrítica dos sindicalistas acompanhada de um mergulho nos ensinamentos do marketing. A democracia e a população, sem dúvida, agradeceriam sensibilizadas.