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Relações internacionais

Declarações de Lula e o fim do equilíbrio na diplomacia

Lula joga a tradição de equilíbrio diplomático brasileiro, mais uma vez, no lixo, somando mais pontos negativos nas relações internacionais brasileiras

Públicado em 

23 fev 2024 às 01:20
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Se a defesa das ditaduras da Venezuela, Nicarágua e Cuba – e da invasão russa à Ucrânia – não bastasse, Lula demonstrou, de uma vez por todas, estar disposto, infelizmente, a colocar um ponto final no equilíbrio mantido há tantos anos pela diplomacia brasileira. E, que ninguém duvide, é esse equilíbrio, construído a duras penas, o responsável por ter o Brasil desfrutado do respeito da comunidade internacional.
As mais recente demonstrações de que o presidente da República está realmente disposto a abandonar essa linha de equilíbrio foram as suas precipitadas, equivocadas e desastradas declarações de que (1) o Brasil estaria disposto a aderir à petição apresentada pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, acusando Israel de ações e emissões de “caráter genocida” na guerra contra o grupo terrorista Hamas, e (2) à comparação feita por Lula entre o holocausto e o que acontece atualmente na faixa de Gaza.
As declarações de Lula são precipitadas porque nada justifica que o Brasil assuma um posicionamento desse alcance e gravidade, no presente momento, quando se sabe que a guerra de Israel contra o Hamas – um grupo terrorista radical islâmico – ainda terá desdobramentos, entre eles o envolvimento crescente de outros grupos terroristas – como o Houthis e Hezbollah – no conflito.
É preocupante verificar que o governo brasileiro se apressa em assumir a posição de defender um lado que, cada vez mais, se forma explicitamente como um conjunto de frentes terroristas que, comprovadamente, atuam à margem das leis internacionais.
A posição de Lula é equivocada porque ignora solenemente que quem iniciou o conflito foi o grupo terrorista Hamas, que invadiu 22 cidades de Israel em 7 de outubro matando 1,4 mil pessoas, entre as quais  mil civis israelitas e quatro brasileiros. É importante frisar que, mesmo com o ataque do Hamas, Lula sempre tergiversou quando é cobrado pela responsabilidade do grupo terrorista pela guerra, preferindo pedir um “cessar fogo” como se Israel não tivesse o direito de fazer uma contraofensiva para tentar resgatar os reféns mantidos em cativeiro pelo inimigo.
As declarações de Lula são também equivocadas porque ignoram o comportamento da maior parte da comunidade internacional que tem se mantido, de forma prudente, distante dos grupos terroristas que comprovadamente comungam de ideologias autoritárias que nada têm de democráticas.
Esses grupos, com o apoio de governos autoritários como os do Irã e Síria, são reconhecidos como grupos terroristas pela maioria do mundo ocidental, incluindo Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido e todos os países membros da União Europeia.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Crédito: Ricardo Stuckert/PR
Não é a primeira vez que o governo Lula desafina nas relações internacionais. A Maduro, Lula ofereceu, em maio, uma recepção feita a poucos chefes de Estado que vieram ao Brasil e o aconselhou a “construir a sua narrativa” para que a opinião pública deixasse de considerar a Venezuela como uma ditadura.
Lula se cala, inclusive, sobre as recentes punições de opositores e mudanças nas regras eleitorais feitas na Venezuela para beneficiar Maduro.
Ao ditador Ortega, Lula tem oferecido apoio irrestrito como fez em junho quando a OEA se preparava para votar uma resolução condenando a Nicarágua por ter um “regime ilegítimo”. Aos ditadores cubanos, Lula fez uma visita em setembro – o terceiro encontro entre os dois presidentes em 2023 – para “simbolizar a retomada de relações diplomáticas entre Brasil e Cuba”.
Maior equívoco representou o gesto de Lula informando que convidaria Putin a comparecer à Cúpula do G20 que ocorrerá em novembro de 2024 no Rio de Janeiro. Como se sabe, Putin seria preso, se viajasse ao Brasil, devido aos mandados de prisão que foram emitidos contra ele pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, do qual o Brasil é um dos signatários.
Aliás, ao igualar as responsabilidades de Rússia e Ucrânia na guerra entre os dois países, Lula foi duramente criticado por ignorar que, no conflito, a Rússia era o país invasor e a Ucrânia o invadido. Sem falar que Lula não mencionou, uma vez sequer, até agora, a morte de Alexei Navalny, o opositor de Putin que apodrecia em uma prisão siberiana.
Com a sua posição nitidamente a favor do Hamas – a ponto de ter sido elogiado em uma declaração formal do grupo terrorista –, Lula repete o equívoco de fingir ignorar que foi o Hamas o autor do ataque que iniciou o conflito. E, com isso, joga a tradição de equilíbrio diplomático brasileiro, mais uma vez, no lixo, somando mais pontos negativos nas relações internacionais brasileiras.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço.

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