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É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço. Escreve às sextas

Covid-19: população e Bolsonaro disputam responsabilidades

A população tem, de fato, responsabilidade na disseminação da doença porque, apesar de toda a campanha de esclarecimento feita, são inúmeros os exemplos de desrespeito. Mas, convenhamos, o presidente tem também abusado do direito de errar

Publicado em 11/09/2020 às 05h00
Presidente Jair Bolsonaro
Nem sempre com máscara, presidente Bolsonaro tem participado de aglomerações. Crédito: Carolina Antunes/Pr

Enquanto o país experimenta uma lenta redução na quantidade de contaminados e de mortes pelo coronavírus – mas em patamar ainda extremamente elevado –, uma discussão aflora: quem, afinal, é o maior responsável pelos estragos causados pela Covid-19 no Brasil? Pesquisa do Ibope realizada entre 21 e 31 de agosto começa a nos dar essa resposta. Nela, 38% dos pesquisados consideram que a maior responsável é a população; 33% consideram que o maior responsável é o presidente da República.

É provável que essa representativa maioria – 71%, ou seja, quase três em quatro pesquisados – tenha dado a resposta correta. A população tem, de fato, responsabilidade na disseminação da doença porque, apesar de toda a campanha de esclarecimento feita – a necessidade do uso de máscara, higienização das mãos e o “fique em casa” para evitar aglomerações –, são inúmeros os exemplos de desrespeito às recomendações das autoridades da saúde. Os bares, as praias e os calçadões estão superlotados e o uso da máscara nem sempre é observado.

Mas, convenhamos, o presidente da República tem também abusado do direito de errar. Na última segunda-feira, 7 de setembro, pela centésima vez, ele desrespeitou as recomendações das autoridades sanitárias – e do próprio Ministério da Saúde do seu governo – e participou, sem máscaras, da cerimônia do hasteamento da bandeira em frente à residência oficial da Presidência. Além disso, saiu cumprimentando o público na aglomeração que se formou próxima ao local.

Sete dias antes, Bolsonaro já tinha dado mais uma contribuição à disseminação da doença ao dizer que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar a vacina” contra a Covid-19. Mais uma bobagem que sai da boca presidencial que demonstra desconhecimento de lei sancionada em fevereiro por ele mesmo, que prevê a possibilidade de realização compulsória da vacinação. E nem cabe falar, no caso, em “liberdade individual” já que uma pessoa que não toma a vacina pode contaminar outra.

Essas, contudo, não foram as únicas contribuições do presidente à disseminação da doença que já foi chamada por ele de “gripezinha” e “chuva”. É conhecida a sua insensibilidade com relação às quase 130 mil mortes (“e daí?”) e a sua resistência ao isolamento social. O presidente faz o que pode para atrapalhar a ação dos governadores e prefeitos que tentam combater a pandemia.

Nesse campeonato, para saber quem é o maior responsável pela situação do Brasil diante da pandemia, população e Bolsonaro disputam a liderança por uma cabeça. O desejável seria que cada um assumisse a sua responsabilidade e passasse a contribuir para que a tendência de queda na contaminação se consolidasse. Bastaria que a população passasse a praticar o que recomendam as autoridades da saúde. E que o presidente passasse a dignificar o cargo que ocupa.

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