Quando parece que o coronavírus estava indo embora, eis que ele ressurge com força em vários lugares do mundo. Inclusive no Espírito Santo, como comprovam as sirenes das ambulâncias que retornaram intensas após a redução das últimas semanas. O Espírito Santo voltou a registrar mais de 30 mortes por dia (como ocorreu nas últimas segunda e terça-feira). O Estado, que estava com redução de casos, voltou à situação de estabilidade. De estabilidade, mas em um patamar elevado.
Para um Estado pequeno como o nosso, ter mais de um óbito por hora em decorrência da pandemia é um horror. Horror que deveria sensibilizar as pessoas que continuam a se aglomerar em lugares públicos, sem máscara e sem o distanciamento recomendado. Pessoas que parecem não acreditar nos casos de infectados que cada vez se aproximam mais de cada um de nós.
Talvez isso decorra do fato de estarmos em um país onde o governo federal dá todas as demonstrações possíveis de que não entendeu até hoje – e provavelmente não entenderá nunca – a dimensão da tragédia que castiga a humanidade. Um governo que não é capaz de se assumir a sua parte de responsabilidade nas mais de 110 mil mortes ocorridas. E o que é pior: de, pelo menos, se sensibilizar com elas. “Vida que segue”, diz o presidente, dando os ombros para a maior crise sanitária dos últimos 100 anos.
Felizmente, o governo do Espírito Santo, através das autoridades responsáveis pela saúde, tem feito a sua parte. Com competência, adotou as medidas preventivas de isolamento social e de atendimento hospitalar adequadas. Apesar do alto número de infectados no Estado, não faltaram leitos para atendimento aos doentes. O equilíbrio adotado na liberação das atividades – como, por exemplo, a prudência com relação ao retorno das aulas presenciais – tem sido decisivo no eficaz monitoramento da disseminação da doença.
Infelizmente, não tem sido esse o comportamento do governo federal. O presidente da República, desde o início, se recusou a coordenar o combate à pandemia, empurrou para fora do governo os seus melhores ministros, procurou esconder as estatísticas da mortandade, desdenhou a importância do isolamento social e até hoje se recusa a reconhecer o perigo da doença. Que, diga-se de passagem, já contaminou o presidente, sua mulher e boa parte dos seus ministros e servidores mais próximos.
Ainda bem que, ao lado das tristes sirenes das ambulâncias, há, nesta pandemia, sons que amenizam o isolamento das pessoas. Como, por exemplo, os do projeto Canto Solidário, capitaneado por Chico Hosken, que alegra as ruas e as feiras da cidade com seus grupos musicais. E o doce gargalhar do bebê do vizinho que nos lembra que a vida renasce a cada dia e nos faz acreditar que tudo vai passar, apesar dos pesares.