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Presidente contra a ciência

Bolsonaro: 900 dias de governo, 500 mil mortos pela Covid-19

Balanço mostra, mais uma vez, que o governo federal continua alheio à realidade da pandemia em terras brasileiras

Publicado em 25 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 jun 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Jair Bolsonaro retira máscara de proteção contra a Covid-19
Presidente da República continua a negar a gravidade da pandemia, a lançar dúvidas sobre a eficácia das vacinas, a condenar o isolamento social e até o uso de máscaras Crédito: Andressa Anholete/Getty Images
No mesmo dia em que o Brasil registrou 500 mil mortes por Covid-19, o governo federal, através da Casa Civil, fez um balanço dos 900 dias do governo Bolsonaro destacando as ações de combate à pandemia. E que ações foram essas? Diz a nota divulgada que foram o auxílio emergencial, a distribuição de 110 milhões de vacinas (“o que coloca o país em quarto lugar no ranking mundial de países que mais aplicam vacinas contra a Covid-19”), a distribuição de oxigênio medicinal e de medicamentos de intubação orotraqueal para unidades de atendimento à saúde, e a autorização para 24 mil leitos de UTI.
A nota da Casa Civil não menciona os 500 mil óbitos pela pandemia e os fatos que estão em apuração na CPI da Covid, como a omissão do Ministério da Saúde que levou à morte, por falta de oxigênio, de dezenas de pacientes em Manaus, e a falta de medicamentos indispensáveis à intubação e de leitos de UTI em vários outros Estados. Não trata também da pregação antivacina de Bolsonaro que levou ao atraso na aquisição dos imunizantes e ao retardamento da vacinação, que só foi iniciada pela pressão do governo de São Paulo que, através do Instituto Butantan, viabilizou a produção da Coronavac.
Omite também que, em proporção à população, o Brasil está em 71º lugar na vacinação, com menos de 12% dos brasileiros imunizados com a segunda dose. E que, ainda hoje, a vacinação está paralisada em vários locais por falta de doses disponíveis, como ocorreu em cinco capitais na terça-feira (22).
O balanço dos 900 dias não explica também que o auxílio emergencial deixou de ser pago de janeiro a março de 2021 porque o governo não acreditou que a pandemia fosse se prolongar. E que, mesmo sendo retornado em abril, o auxílio atende agora a uma quantidade menor de pessoas e com valores inferiores aos pagos em 2020.
E o que é ainda mais lamentável: a nota governamental se esquece que o presidente da República continua a negar a gravidade da pandemia, a lançar dúvidas sobre a eficácia das vacinas, a condenar o isolamento social e até o uso de máscaras. Bolsonaro não se cansa de apostar no “tratamento precoce” com uso de medicamentos comprovadamente ineficazes, como disse na última segunda-feira. Segunda-feira, aliás, que registrou mais uma agressão de Bolsonaro à imprensa, ao ser indagado sobre a multa que lhe foi aplicada pelo governo de São Paulo por não ter usado máscara durante uma manifestação na capital paulista.
O balanço dos 900 dias de governo mostra, mais uma vez, que o governo Bolsonaro continua alheio à realidade da pandemia em terras brasileiras. Realidade que se traduz no luto dos familiares e amigos do meio milhão de mortos, vítimas das decisões equivocadas de quem teima, ainda hoje, em apostar contra a ciência.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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