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Exportações brasileiras

As tarifas de Trump são um tiro no pé

Diante de tantos prejuízos ao país, fica fácil compreender o sentimento da maioria do povo brasileiro contrário às megataxas de Trump e de repúdio à atitude daqueles que tentam justificar o comportamento do presidente norte-americano

Publicado em 01 de Agosto de 2025 às 04:00

Públicado em 

01 ago 2025 às 04:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

As pesquisas mais recentes só confirmam o que já se previa: o tarifaço anunciado por Trump – 50% sobre os produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos – sob a justificativa, entre outras, de que estaria havendo uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro, está se revelando um tiro no pé do próprio governo norte-americano e atingindo em cheio Bolsonaro, seu filho Eduardo e o bolsonarismo como um todo.
Os reflexos negativos para o bolsonarismo chegam até mesmo aos nomes daqueles que poderiam contar com o apoio do ex-presidente nas próximas eleições, desidratando as chances dos aliados que poderiam disputar a presidência da República contra Lula em 2026.
O que dizem as pesquisas? Que Lula reverteu a tendência de queda de aprovação do seu governo que vinha se mantendo há um ano, que suas chances de vitória em 2026 – caso realmente confirme a sua candidatura – se ampliaram, e que a grande maioria da população (72%) condena a atitude de Trump de aplicar uma megataxação aos produtos brasileiros.
No campo da comunicação, o que se vê é o verde-amarelo saindo das mãos e dos ombros do bolsonarismo para ser empunhado por Lula e seus aliados que retomaram o discurso da defesa da soberania nacional.
Tudo isso é resultado do enorme equívoco de Trump – aplaudido de pé por Eduardo Bolsonaro, o filho de Jair que há meses está nos Estados Unidos “assessorando” Trump com relação à conjuntura política brasileira – de misturar questões políticas internas do Brasil com questões econômicas. E de não ter o menor pudor de explicitar isso em uma carta postada em rede social – antes mesmo da correspondência ser enviada ao governo brasileiro –, anunciando a taxação de 50% a partir de 1º de agosto.
E o que é mais grave: as questões políticas brasileiras alegadas são, no entender de Trump, supostas perseguições ao ex-presidente Jair Bolsonaro que é réu em processos em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal que, qualquer um sabe, é um poder autônomo não subordinado ao governo federal. O equívoco político se torna ainda mais expressivo quando se vê que a taxação de 50% atinge o coração da economia brasileira já que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Donald Trump, presidente dos EUA
Donald Trump, presidente dos EUA Crédito: Reuters/Folhapress
Os prejuízos para a economia do Brasil, caso a taxa de 50% venha realmente a vigorar, são evidentes. Mesmo com as exceções anunciadas pelo governo americano na quarta-feira (30) – que excluem a taxa adicional para 694 produtos, entre os quais derivados de petróleo, ferro e aço, celulose e aviões civis – o impacto ainda atinge 57% das exportações brasileiras que têm como destino os Estados Unidos.
A economia capixaba, que tem no comércio exterior o seu principal mercado, sofrerá impactos diretos na cafeicultura, frutas, pescado e na maior parte das rochas ornamentais. A previsão das entidades representativas do empresariado brasileiro é a de que a perda, no Brasil, atingirá centenas de milhares de empregos.
Diante de tantos prejuízos ao país, fica fácil compreender o sentimento da maioria do povo brasileiro contrário às megataxas de Trump e de repúdio à atitude daqueles que tentam justificar o comportamento do presidente norte-americano e jogar a responsabilidade nos ombros do governo brasileiro.
Resta, apesar de tudo, a esperança de que Trump venha a reconhecer o equívoco da sua atitude e que recue a tempo de evitar que os prejuízos se acumulem tanto na economia brasileira quanto na norte-americana. Afinal, é sempre bom e positivo confiar que o bom senso e a sensatez ainda possam prevalecer sobre a insanidade e a destemperança de alguns.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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