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É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço. Escreve às sextas

Ao contrário do governo, sociedade cobra cerco contra o desmatamento

O Brasil do faz de conta fecha os olhos e os ouvidos para a realidade. Finge não ver as imagens dos satélites do Inpe que indicam que as queimadas da Amazônia estão mais numerosas dos que as do ano passado, sem falar no Pantanal

Publicado em 02/10/2020 às 05h00
POCONE, MT, 07.09.2020 - QUEIMADA-PANTANAL - Vegetação é consumida pelo fogo ao longo da rodovia Transpantaneira, no Mato Grosso. O Pantanal foi o bioma mais atingido proporcionalmente pelas queimadas esse ano, com quase 10% de sua área consumida pelo fogo. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
Vegetação é consumida pelo fogo na série de queimadas no Mato Grosso e em vários Estados. Crédito: Lalo de Almeida/Folhapress

É uma aliança inédita: 230 organizações, entre representantes do agronegócio e ONGs, reunidas na Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, enviaram no dia 15 uma carta conjunta ao governo federal cobrando ações urgentes contra o desmatamento da Amazônia. “Há uma clara preocupação de diversos setores da sociedade nacional e internacional com o avanço do desmatamento”, diz a carta.

Entre as iniciativas reclamadas estão a ampliação de das ações de fiscalização e monitoramento do desmatamento, a suspensão de regularização fundiária de áreas desmatadas e a responsabilização e punição dos responsáveis pelos ilícitos ambientais.

A iniciativa tem razão de ser: a crise ambiental agravada pelo aumento do desmatamento e queimadas pode levar a um boicote de produtos brasileiros no exterior e dificultar o acesso a capital pelas empresas ligadas ao agronegócio. O movimento começou em junho, alertando para os perigos decorrentes do desmatamento e das queimadas, e agora chega na fase de dizer como os crimes ambientais devem ser contidos.

"As primeiras manifestações foram de sinalização de que o tema do desmatamento e das mudanças climáticas preocupa o setor empresarial, e agora entramos no debate de medidas concretas”, explicou um dos criadores da Coalização, Roberto Waack.

Os reflexos da destruição da Amazônia são péssimos para o Brasil. No mesmo dia 15, oito países do chamado “Grupo de Amsterdã” – Alemanha, França, Dinamarca, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido, mais a Bélgica –, que consomem 10% de tudo o que o agronegócio brasileiro exportou em 2019, alertaram que os consumidores da União Europeia “não querem desmatamento em sua mesa” como escreveu Marcio Astrini, do Observatório do Clima.

Enquanto isso, o Brasil do faz-de-conta fecha os olhos e os ouvidos para a realidade. Finge não ver as imagens dos satélites do Inpe que indicam que as queimadas da Amazônia estão mais numerosas dos que as do ano passado, sem falar no Pantanal, que está 20% sob cinzas.

O vice-presidente da República, que é o presidente do Comitê do Fundo Gestor da Amazônia, e o ministro do Meio Ambiente chegam a compartilhar vídeo produzido pela Associação de Criadores do Pará que afirma que não há queimadas na região. E o presidente da República, no discurso que fez na abertura da 75ª Assembleia Geral da ONU declara, sem corar, que tudo não passa de uma “campanha brutal de desinformação”.

No Brasil real, o governo reduz a verba da fiscalização, muda conceitos de exportação de madeira alegando desburocratização do processo e afrouxa regulamentos que protegiam as áreas indígenas. Enfim, faz passar a boiada anunciada pelo ministro do meio ambiente na famigerada reunião ministerial de 22 de abril.

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