É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço. Escreve às sextas

A atuação da Justiça Eleitoral contra as fake news deve ser rigorosa

São conhecidos os impactos nefastos que as falsas notícias provocam sobre o eleitorado, principalmente em uma época de grande radicalização política e de massivo uso das redes sociais. Notícias enganosas contribuem para distorcer o resultado

Publicado em 25/09/2020 às 05h00
A disseminação das fake news durante o processo eleitoral é uma preocupação permanente da Justiça Eleitoral
Disseminação das fake news durante o processo eleitoral deve ser preocupação permanente da Justiça Eleitoral. Crédito: Divulgação

Depois de ter sido surpreendida pela intensidade da proliferação das fake news nas eleições de 2018, a Justiça Eleitoral promete dar prioridade ao combate às notícias enganosas no pleito municipal de novembro. Essa disposição foi manifestada pelas autoridades do TRE-ES na reunião com os veículos de comunicação do Estado realizada no último dia 17. E será confirmada na próxima segunda-feira, 28, quando o Tribunal reunirá os candidatos a prefeito de Vitória em audiência pública denominada “Vitória contra as fake news – pacto pela ética no debate eleitoral”.

Tomara que que a iniciativa seja repetida com os candidatos a prefeito dos demais municípios do Estado. Afinal, são conhecidos os impactos nefastos que as falsas notícias provocam sobre o eleitorado, principalmente em uma época de grande radicalização política e de massivo uso das redes sociais, propícia a levar as pessoas a agir pela emoção e não pela razão. E a emoção, turbinada pela notícia distorcida distribuída pelos robôs digitais, tem efeitos danosos no voto dado em nossa frágil democracia.

O que justifica os cuidados da Justiça Eleitoral é o fato de as notícias enganosas contribuem para distorcer o resultado eleitoral. A Agência Lupa, que se dedica a checar a veracidade das informações que são disseminadas nos meios de comunicação, inclusive os digitais, chegou à conclusão que as pessoas são suscetíveis de acreditar em absurdos e que o WhatsApp é uma terra sem lei, já que das 50 imagens mais compartilhadas naquela rede social, apenas quatro eram verdadeiras.

O uso de robôs na disseminação das mensagens nas redes sociais pode, segundo os especialistas, resultar em distribuição de dez milhões de fake news em uma fração de segundos. Isso, em uma campanha eleitoral, resulta em desequilíbrio de forças e uma luta desigual que ameaçam o estado democrático.

Como bem disse o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, é preciso limitar a ação dos robôs e os posts de perfis falsos que alimentam “as campanhas de desinformação, de ódio, destrutivas da democracia e das instituições” porque por trás delas não estão cidadãos mas “bandidos, gângsters, milícias digitais, terroristas verbais que precisam ser neutralizados”.

É positivo saber que a Justiça Eleitoral está empenhada em colocar um freio nas fake news divulgadas nas redes sociais, apurando as denúncias e punindo os responsáveis pela sua divulgação. Ao lado da Justiça Eleitoral e dos eleitores, podem estar certos, estará o jornalismo profissional que não só divulga informações cuja veracidade é checada com rigor, como também denuncia as informações falsas veiculadas nas redes sociais.

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