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Vitor Vogas

João Doria e Wilson Witzel seguem estratégias opostas no ES

Os presidenciáveis discordaram sobre a crise ambiental. Enquanto governador de São Paulo puxou para um lado (fazendo duras críticas à visão de Bolsonaro sobre o tema), Witzel pôs panos quentes

Publicado em 24 de Agosto de 2019 às 14:01

Públicado em 

24 ago 2019 às 14:01
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Os governadores João Doria, de São Paulo, e do Rio, Wilson Witzel Crédito: Divulgação/Equipe João Doria
Voltando a se declarar prematuramente candidato à Presidência em 2022, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), destoou completamente das demais autoridades presentes durante o 4º Encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), no discurso sobre a crise da devastação da Amazônia, principalmente de seu possível adversário na corrida presidencial, João Doria.
O governador de São Paulo fez um discurso contundente, alfinetando a política ambiental e as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o tucano, o Brasil não pode se dar ao luxo de perder parceiros comerciais, tem que ter a humildade de admitir que depende de investimentos estrangeiros e “não pode misturar partidarismo e ideologia com ecologia”.
Os governadores estiveram reunidos, no último sábado (24), no Palácio Anchieta, em Vitória.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), seguiu a mesma linha de pensamento, afirmando que as declarações do presidente “arranham a imagem do Brasil”. Mais comedido – até em virtude da posição institucional que ocupa -, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), não deixou de assinalar que o modo como Bolsonaro “vocaliza” suas opiniões dá a entender que ele incentiva o desmatamento.
Witzel, por sua vez, preferiu colocar panos quentes durante sua entrevista: ressaltou que as queimadas na Amazônia sempre ocorreram e que as políticas ambientais estão mantidas pelo atual governo. Um discurso muito parecido com o do próprio Bolsonaro. “Não importa quem causou isso. Temos agora que buscar soluções”, aliviou, no seu pronunciamento.
Os governadores do Rio, Wilson Witzel, do Espírito Santo, Renato Casagrande, e de São Paulo, João Doria, durante o Cosud, no Palácio Anchieta Crédito: Ademir Ribeiro/Divulgação
ESTRATÉGIAS OPOSTAS
Com isso, Witzel faz um senhor aceno não a Bolsonaro, mas aos eleitores do presidente, apresentando-se cada vez mais como alternativa, dentro do mesmo campo da direita bolsonarista, ao eleitor eventualmente frustrado com o atual presidente - se não agora, quiçá até 2022.
"FAZ VOCÊ"
Perguntamos a Witzel, a propósito, quais as principais diferenças entre ele e Bolsonaro. Já batendo em retirada, ele preferiu não responder: “Faz você essas considerações”. E saiu repetindo a frase e dando risadas entre os seus seguranças.
DORIA SE DESLOCA
Por sua vez, Doria se desloca cada vez mais do polo bolsonarista – embora, assim como Witzel, tenha apoiado o candidato do PSL na última eleição presidencial. Agora com o PSDB nas mãos, tende a se firmar como opção para o eleitor de centro-direita, avesso a candidatos de esquerda, mas insatisfeito com as posições extremistas e/ou com o governo de Bolsonaro.
FUGIU DA CASCA DE BANANA
Doria, aliás, foi questionado sobre a entrevista de FHC publicada no "Estadão", na qual o ex-presidente afirma que, “se Doria quer ser candidato [à Presidência], Bolsonaro é adversário”. Não entrou na bola dividida e não tratou Bolsonaro assim. Mas que é, é.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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