Voltando a se declarar prematuramente candidato à Presidência em 2022, o governador do Rio de Janeiro,
Wilson Witzel (PSC), destoou completamente das demais autoridades presentes durante o 4º Encontro do
Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), no discurso sobre a crise da devastação da
Amazônia, principalmente de seu possível adversário na corrida presidencial,
João Doria.
O governador de São Paulo fez um discurso contundente, alfinetando a política ambiental e as declarações do presidente
Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o tucano, o Brasil não pode se dar ao luxo de perder parceiros comerciais, tem que ter a humildade de admitir que depende de investimentos estrangeiros e “não pode misturar partidarismo e ideologia com ecologia”.
Os governadores estiveram reunidos, no último sábado (24), no Palácio Anchieta, em Vitória.
Witzel, por sua vez, preferiu colocar panos quentes durante sua entrevista: ressaltou que as queimadas na Amazônia sempre ocorreram e que as políticas ambientais estão mantidas pelo atual governo. Um discurso muito parecido com o do próprio Bolsonaro. “Não importa quem causou isso. Temos agora que buscar soluções”, aliviou, no seu pronunciamento.
Com isso, Witzel faz um senhor aceno não a Bolsonaro, mas aos eleitores do presidente, apresentando-se cada vez mais como alternativa, dentro do mesmo campo da direita bolsonarista, ao eleitor eventualmente frustrado com o atual presidente - se não agora, quiçá até 2022.
Perguntamos a Witzel, a propósito, quais as principais diferenças entre ele e Bolsonaro. Já batendo em retirada, ele preferiu não responder: “Faz você essas considerações”. E saiu repetindo a frase e dando risadas entre os seus seguranças.
Por sua vez, Doria se desloca cada vez mais do polo bolsonarista – embora, assim como Witzel, tenha apoiado o candidato do PSL na última eleição presidencial. Agora com o PSDB nas mãos, tende a se firmar como opção para o eleitor de centro-direita, avesso a candidatos de esquerda, mas insatisfeito com as posições extremistas e/ou com o governo de Bolsonaro.
Doria, aliás, foi questionado sobre
a entrevista de FHC publicada no "Estadão", na qual o ex-presidente afirma que, “se Doria quer ser candidato [à Presidência], Bolsonaro é adversário”. Não entrou na bola dividida e não tratou Bolsonaro assim. Mas que é, é.