Três dias comemorativos convidam-me a abordar, num só texto, temas variados. Cinco de maio é o Dia Internacional da Língua Portuguesa. Doze de maio é o Dia das Mães. Treze de maio é o Dia da Fraternidade.
A data de cinco de maio foi escolhida, além do Brasil, por quase todos os países lusófonos – Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste. Em Portugal, a exaltação do idioma de Camões ocorre em 10 de junho.
O Dia das Mães é apropriado para a exaltação da vida porque a mãe é depositária da semente da vida.
Para exaltar a vida recorro a uma lembrança pessoal.
Quando exercia a função de juiz de Direito, concedi liberdade a uma acusada grávida, através de uma decisão da qual transcrevo um pequeno trecho, a seguir.
“A acusada é multiplicadamente marginalizada: por ser mulher, numa sociedade machista; por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta; por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo; por não ter saúde; por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si, mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar, numa homenagem à maternidade, porém, que na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.
É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo para que venha a este mundo tão injusto com forças para lutar, sofrer e sobreviver.
Saia livre, saia abençoada por Deus, saia com seu filho, traga seu filho à luz, que cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro, algum dia cristão.”
Falemos agora da Fraternidade, em homenagem ao Dia da Fraternidade.
O ser humano necessita do sentimento de “pertença”. Esta ideia de pertencer a alguém, seja a uma pessoa individual, seja a uma pessoa coletiva (cidade, clube de futebol, igreja), contribui significativamente para a integração psicológica de todos nós. A “pertença” a uma cidade, ou seja, o bairrismo, é assim fator de equilíbrio emocional.
Falamos tanto em violência, mas raramente buscamos encontrar as causas da violência. É certo que essas causas são muitas, porém, sem dúvida, uma das circunstâncias determinantes do comportamento violento é a orfandade existencial, é a falta do sentimento de “pertença”.
Nasci num pedaço de chão capixaba que tem, como um dos seus maiores vultos, um poeta que celebrou, em versos admiráveis, a fraternidade: “Esta sensibilidade, que é uma antena delicadíssima, captando pedaços de todas as dores do mundo, e que me fará morrer de dores que não são minhas.” (Newton Braga).