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João Baptista Herkenhoff

Gesto do novo arcebispo traduz sua opção pelos mais pobres

A voz profética de um bispo, rebelando-se contra a cassação de direitos, é uma esperança

Publicado em 15 de Janeiro de 2019 às 23:33

Públicado em 

15 jan 2019 às 23:33

Colunista

Dom Dario Campos celebrou a missa de posse Crédito: Bernardo Coutinho
Há gestos que valem mais que mil discursos. O gesto, a atitude de Dom Dario Campos, recém-empossado arcebispo de Vitória, de realizar sua primeira visita pastoral e celebração de uma missa na Comunidade de São Benedito, uma das mais pobres de Vitória, conforme informou A GAZETA na edição de 5 de janeiro, traduz sua opção pelos pobres.
A escolha do Morro de São Benedito significa que as populações sofridas, aquelas que carecem não apenas de oração, mas antes de tudo de pão, receberão seu especial cuidado.
Qualquer bairro de Vitória, qualquer um dos chamados bairros nobres, consideraria honra augusta que, no seu espaço territorial, ocorresse essa celebração. Entretanto, Dom Dario Campos preferiu conferir a honrosa primazia a um bairro periférico.
Destacou na oportunidade: “Foi essa a decisão que a gente tomou de começar o ministério na Arquidiocese de Vitória, em um bairro onde nossos irmãos são mais esquecidos, abandonados.”
Numa de suas primeiras declarações à imprensa, Dom Dario Campos denunciou que os pobres perderam direitos, referindo-se a retrocessos que estão ocorrendo na legislação trabalhista (a nova lei foi aprovada no final de 2017).
O Direito do Trabalho, historicamente, sempre caminhou para a frente, no sentido de assegurar melhores condições de trabalho, melhores salários, ampliação de direitos.
Mesmo nos períodos em que, no Brasil, ocorreram reduções de franquias políticas, as franquias trabalhistas foram respeitadas.
A voz profética de um bispo, rebelando-se contra a cassação de direitos, é uma esperança porque “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão.” (Evangelho de Lucas, 19, 40.)
Na Epístola de Paulo aos Romanos, está expressa, de maneira particularmente incisiva, a afirmação da igualdade e da dignidade de todos os seres humanos. Isto de cada um, de sua parte, reconhecer-se como filho de um mesmo Pai conduz a uma fraternidade autêntica.
Não podemos nos esquecer de uma outra passagem bíblica, quando Paulo coloca o ser humano como templo do Espírito Santo. Esta afirmação é rica de consequências. Como um ser que é templo do Espírito Santo, ou seja, que é morada do próprio Deus, pode morrer de fome, pode ficar ao desabrigo, pode ser discriminado? Nenhuma violação dos direitos da pessoa humana será coerente com a proclamação do ser humano como casa de Deus.

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