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É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças

Se há motivos para desânimo, negligenciar as eleições só piora o quadro

Entregar o voto, sem análise, também não ajuda em nada. Logo, a melhor alternativa é evitar a idolatria e posicionar-se com criticidade perante partidos e candidatos

Publicado em 06/10/2020 às 05h00
Em 2016 representavam 49% e em 2020 são 52%
Candidatos são muitos, mas é preciso que sejamos rigorosos nas escolhas. Crédito: Freepik

“Posso contar com o seu voto?”. A pergunta, aparentemente simples, é decisiva. Impacta a vida de todos e, além das palavras, envolve confiança. Ela testa a capacidade de compreender que o processo eleitoral deve ser encarado com prudência.

Muitos já perderam a esperança, afinal, até a inflação de alimentos, que parecia sepultada, está de volta ao noticiário. Sem falar na visível incompetência de certos políticos, na radicalização, no desemprego crescente, nos danos ao meio ambiente e, sobretudo, na pandemia de coronavírus.

Herbert Soares

Articulista

"Para os candidatos com ficha limpa, fica a mensagem: honestidade é obrigação, por isso mesmo não pode ser anunciada como principal qualidade para exercer cargos públicos"

Se sobram motivos para desânimo, negligenciar as eleições só piora o quadro. E entregar o voto, sem análise, também não ajuda em nada. Logo, a melhor alternativa é evitar a idolatria e posicionar-se com criticidade perante partidos e candidatos. Mostrar que, para conquistar confiança, não basta a amizade, o tapinha nas costas ou a propaganda perfeita na mídia e nas redes sociais.

O eleitor tem o direito de cobrar postura, exigir projetos, ideias e dinamismo para promover as mudanças necessárias. Propostas focadas nas potencialidades locais, que fortaleçam a educação e a saúde, bem como a cultura e o turismo. Enfim, um inovador programa de governo voltado ao combate das desigualdades sociais e gerador de oportunidades para a população se qualificar, trabalhar e viver de forma digna.

Nesse sentido, é essencial usar o pleito em benefício da coletividade. Fazer o povo vencedor e não apenas o indivíduo ou partido. Na prática, a missão é difícil, mas se logo de cara forem descartados os radicais, os corruptos, os autoritários, os que usam a religião em benefício próprio, os preconceituosos, os propagadores de ódio e de mentiras, o avanço já será significativo.

E para os concorrentes com ficha limpa, fica a mensagem: honestidade é obrigação, por isso mesmo não pode ser anunciada como principal qualidade para exercer cargos públicos, ainda mais os de vereador e prefeito, funções complexas, que interferem na vida das pessoas e pedem criatividade e dedicação.

O brasileiro é trabalhador e merece que a classe política o ajude a viver melhor. Sejamos, portanto, rigorosos. Não basta querer, é preciso se qualificar e mostrar credenciais para representar a sociedade.

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