“Livre-se dos bajuladores. Mantenha perto de você pessoas que te avisem quando você erra”. O conselho, atribuído ao ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, é certeiro e funciona como alerta, sobretudo para os que terão a responsabilidade de comandar as prefeituras nos próximos anos.
A partir de janeiro, cabe aos novos gestores nomear uma série de secretários, diretores, assessores, enfim, constituir equipe que lhes dê apoio na direção dos municípios. Nessa etapa de composição, fundamental para o êxito do prefeito, é importante considerar o recado das urnas, isto é, o desejo da maioria da população por líderes focados em organizar administrações eficientes.
Assim, para resolver os graves e históricos problemas das cidades, não basta ser honesto e ter boa vontade. É necessário, ainda, cercar-se de excelentes colaboradores, dialogar frequentemente, promover a boa política e buscar harmonia com a sociedade. Por isso, concordando com cada palavra da frase citada no início do texto, vale repetir: livre-se dos bajuladores.
O bajulador, conhecido na linguagem do dia a dia como puxa-saco, atrapalha o diagnóstico da realidade. Para ele, as ações do chefe e do governo estão sempre corretas e os problemas, na verdade, não passam de invenções da oposição, do povo e da imprensa. Essas figuras, cheias de si, adulam apenas por interesse pessoal e com o objetivo de permanecer relevante nas esferas de poder, ou seja, na primeira adversidade podem, sem nenhum incômodo, dar a famosa rasteira e deixar o até então ídolo em situação irreparável.
Logo, o vínculo entre governantes e seus paparicadores acaba resultando em péssimos serviços públicos e, quatro anos depois, no fracasso eleitoral. Muitos administradores, aliás, iludidos pelo leva e traz dos bajuladores, desconhecem as falhas do próprio mandato e só na eleição seguinte, diante da derrota, começam a enxergar as imperfeições e entender as razões do fiasco. Acorda, portanto, tarde demais.
Nesse sentido, o segundo trecho da recomendação do ex-presidente norte-americano, o de manter por perto pessoas que avisem dos erros, também mostra-se valioso. Isso porque o bajulador, ao viver de mentiras e fofocas, produz a falsa impressão de que nada precisa melhorar, o que fatalmente leva ao insucesso e prejudica de modo especial os mais pobres.
Baseado nessa reflexão, é essencial aos prefeitos compreenderem que, formar um time qualificado, autêntico e aberto a críticas, é o grande passo para construir políticas públicas benéficas e, por consequência, uma gestão bem avaliada.