Em países como Alemanha e França, que se encontram em estágios avançados no que tange a valorização do patrimônio cultural, o incentivo à cultura é prioridade de Estado, sendo visto como algo que potencializa a economia e, como se sabe, garante muita riqueza para ambos. Por isso, vale frisar que, patrimônio cultural preservado e vivo, assim como nos mostra a experiência europeia, é oportunidade de atrair receitas para o Brasil e mover a economia local, principalmente quando associado ao turismo.
No caso brasileiro, para que mais ideias saiam do papel, cabe ao poder público proporcionar ao setor cultural o orçamento que ele merece e fortalecer as leis de incentivo que já existem, pois são instrumentos fundamentais para fomentar a área, trazer desenvolvimento e gerar empregos.
Da mesma forma, é necessário ampliar nos municípios, Estados e em âmbito federal, o quadro de historiadores, antropólogos, arqueólogos, museólogos e arquivistas. O suporte desses profissionais é fundamental para secretarias e departamentos de cultura e, infelizmente, segue sendo tarefa difícil encontrá-los nos pequenos e médios municípios, o que prejudica o desenvolvimento de ações culturais nas regiões mais distantes dos grandes centros, sem dúvidas, as que mais necessitam crescer nesse quesito e diversificar suas economias.
Assim, importa enfatizar o argumento de que proteger e promover o patrimônio cultural como um todo, isto é, os bens materiais e imateriais, além de gerar pertencimento, autoestima e revigorar a nossa identidade como povo, constitui-se numa saída econômica.
Ainda sobre os planos relacionados à cultura, é de se lamentar o impasse sobre o tombamento do sítio histórico de Santa Teresa, um município admirável e que precisa encontrar, por meio do diálogo com os demais atores do processo, o melhor caminho para preservar o seu patrimônio cultural, que, aliás, é um bem valioso para todos os capixabas.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), “o patrimônio cultural é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas”. Tal assertiva reforça o entendimento da impossibilidade de uma região alcançar o pleno desenvolvimento sem prestigiar a sua cultura, a sua história e as suas origens.
Portanto, só com ações educativas voltadas ao reconhecimento do patrimônio cultural, apoio do poder público e da sociedade é que será possível alcançar um nível adequado de preservação e promoção dos bens culturais, o que trará inúmeros benefícios, incluindo os econômicos, tão necessários atualmente.