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É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças

Pandemia: Copa América no Brasil só aumenta nossa coleção de absurdos

Ficou claro outra vez que, na visão de certas lideranças políticas e de dirigentes esportivos, nada está acima dos planos políticos e dos lucros econômicos

Publicado em 15/06/2021 às 02h00
A taça da Copa América 2019
Taça da Copa América 2019: qual a necessidade de promover agora um evento já realizado três vezes nos últimos seis anos?. Crédito: Lucas Figueiredo/CBF

“Cepa América”, “Covid América” e até o assustador “Cova América”. Esses são alguns dos títulos de memes difundidos nas redes sociais sobre a realização da Copa América, uma competição de futebol autorizada pelo governo federal durante a pandemia mais mortal em um século.

Sua efetivação no Brasil, um dos países que pior lida com a Covid-19 no mundo, acrescenta um novo absurdo à nossa abundante coleção de absurdos. Logo, da morosidade na procura por vacinas à rapidez para dizer sim aos organizadores dos jogos (Conmebol), prevaleceu o desrespeito com quem sofre todos os dias e, principalmente, com os quase 500 mil mortos.

A sensação predominante é de estar num barco comandado por um capitão incapaz e desequilibrado. Por essa e outras razões, os brasileiros deveriam externar um categórico NÃO à Copa América, afinal, qual a necessidade de promover agora um evento já realizado três vezes nos últimos seis anos? E para piorar, trata-se de campeonato que não classifica para nada, sem apelo popular e com título inexpressivo.

A resposta, como se sabe, relaciona-se ao dinheiro e aos prejuízos causados pelo possível cancelamento do torneio. Ficou claro outra vez que, na visão de certas lideranças políticas e de dirigentes esportivos, os perigos do vírus, as mortes, as famílias destroçadas, a profunda tristeza, a pobreza crescente, enfim, nada disso está acima dos planos políticos e dos lucros econômicos.

Ainda nesse turbilhão de acontecimentos, uma parcela da sociedade exigiu um posicionamento decente dos jogadores da Seleção Brasileira, algo que, evidentemente, não ocorreu. No dia 8 de junho, para surpresa de zero pessoas, os atletas divulgaram um manifesto tímido, desprovido de convicção e que sequer mencionou os graves problemas da CBF ou lamentou as mortes provocadas pelo coronavírus. Um texto tão tolo que lembra a irônica frase do jornalista Apparício Torelly, também conhecido como Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”.

Diante de tanta decepção, resta-nos continuar alertando acerca da gravidade da pandemia, cobrando transparência e eficiência dos governantes e repetindo o óbvio: cuide-se, defenda a ciência, exija vacina e rejeite aqueles que não colocam a vida em primeiro lugar.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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