“Cepa América”, “Covid América” e até o assustador “Cova América”. Esses são alguns dos títulos de memes difundidos nas redes sociais sobre a realização da Copa América, uma competição de futebol autorizada pelo governo federal durante a pandemia mais mortal em um século.
Sua efetivação no Brasil, um dos países que pior lida com a Covid-19 no mundo, acrescenta um novo absurdo à nossa abundante coleção de absurdos. Logo, da morosidade na procura por vacinas à rapidez para dizer sim aos organizadores dos jogos (Conmebol), prevaleceu o desrespeito com quem sofre todos os dias e, principalmente, com os quase 500 mil mortos.
A sensação predominante é de estar num barco comandado por um capitão incapaz e desequilibrado. Por essa e outras razões, os brasileiros deveriam externar um categórico NÃO à Copa América, afinal, qual a necessidade de promover agora um evento já realizado três vezes nos últimos seis anos? E para piorar, trata-se de campeonato que não classifica para nada, sem apelo popular e com título inexpressivo.
A resposta, como se sabe, relaciona-se ao dinheiro e aos prejuízos causados pelo possível cancelamento do torneio. Ficou claro outra vez que, na visão de certas lideranças políticas e de dirigentes esportivos, os perigos do vírus, as mortes, as famílias destroçadas, a profunda tristeza, a pobreza crescente, enfim, nada disso está acima dos planos políticos e dos lucros econômicos.
Ainda nesse turbilhão de acontecimentos, uma parcela da sociedade exigiu um posicionamento decente dos jogadores da Seleção Brasileira, algo que, evidentemente, não ocorreu. No dia 8 de junho, para surpresa de zero pessoas, os atletas divulgaram um manifesto tímido, desprovido de convicção e que sequer mencionou os graves problemas da CBF ou lamentou as mortes provocadas pelo coronavírus. Um texto tão tolo que lembra a irônica frase do jornalista Apparício Torelly, também conhecido como Barão de Itararé: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada”.
Diante de tanta decepção, resta-nos continuar alertando acerca da gravidade da pandemia, cobrando transparência e eficiência dos governantes e repetindo o óbvio: cuide-se, defenda a ciência, exija vacina e rejeite aqueles que não colocam a vida em primeiro lugar.