Pois é, em 11 de fevereiro publicamos aqui nossa coluna vaticínios de que a Segurança Pública colheria bons frutos e continuaria a trajetória de queda com Eugênio Ricas, o que se confirma com o balanço do primeiro semestre. E não, não são necessários poderes mediúnicos para arriscar previsões desse tipo.
Em primeiro lugar, os assassinatos funcionam como processo retroalimentado: os crimes de hoje motivam os de amanhã. Portanto, há uma certa força inercial agindo para manter trajetórias de alta ou de baixa. É diferente quando se quer combater o tráfico, assim como se o foco são os crimes patrimoniais.
Por outro lado, manter contato com policiais, saber o que anda acontecendo e sentir o clima na tropa faz parte das minhas tarefas como colunista e como professor no mestrado em Segurança Pública. O pessoal por aí não entende, mas uma das minhas principais atribuições profissionais é tomar uma cervejinha de vez em quando. Estritamente a trabalho rsrsrsrsrs.
E é claro que ajuda conhecer pessoalmente quem estava sendo nomeado, além de analisar sua trajetória como servidor público. Qualquer medíocre é capaz de inventar a roda; genial é mantê-la girando, corrigindo qualquer desvio de direção, mas sem perder o embalo. No final das contas, o grande truque de fazer políticas de segurança pública é não vir com nenhuma solução mágica, mas fazer de maneira competente aquilo que se viu dar certo no médio e no longo prazos. Dessa cartola não sai coelho.
A segurança pública é como um gigantesco navio comercial completamente carregado: é muito difícil mudar a sua rota, porque o peso envolvido e as forças em atuação são gigantescas, ao passo que o motor, proporcionalmente, é bem fraquinho, já que não foi pensado para dar cavalos de pau. Aliás, por incrível que pareça, violência e crime interessam a muita gente poderosa, que não quer nem ouvir falar em melhorias e sabota sempre que pode. É...
O criminoso, propriamente, é o menor dos problemas para o secretário. Em compensação, depois que a embarcação embica na direção certa, o segredo é focar a manutenção do rumo e da velocidade, avançar aos poucos, mas de maneira sistemática, consistente, sustentada, cada dia um pouco mais perto do porto seguro.
Então a vida do capitão é essa: ser bom marinheiro, passar o dia todo de olho nos mapas, no GPS e nas estrelas à noite; e boa comunicação com o imediato e com o timoneiro; e descobrir onde está o Marujo (o leitor perdoe o trocadilho).
É isso: prever o futuro às vezes é fácil. Também trago amor de volta em 24 horas (se for na Grande Vitória).