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Segurança pública

Função de enfrentar malfeitores armados é das polícias

O cidadão não deve correr riscos físicos ou jurídicos reagindo a assaltos

Publicado em 24 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

24 jan 2021 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Candidatos armados se multiplicam nas campanhas eleitorais no país
Uma arma de fogo pode até livrar você de um problema, só para arrumar outro pior. Crédito: Foto de Derwin Edwards/ Pexels
Duas notícias se entrelaçaram nesta semana. Primeiro, um advogado, armado, decide intervir ao presenciar um assalto, surpreende e enquadra o criminoso, mas este tenta reagir e acaba baleado na cabeça. Dias depois, vem a notícia de que o inspetor penitenciário, baleado durante um roubo, e que no mínimo ficaria paraplégico, veio a óbito.
No imaginário de muitos, seria fácil ao profissional, devidamente treinado, reagir ao assalto e se sobressair devido à sua superioridade técnica, mas tudo estava contra ele, especialmente a surpresa. Outros, igualmente fantasiando sobre o que pode ser feito na fração de segundos que se tem para sacar e atirar, supõem que o advogado poderia ter atirado em um ponto não letal do assaltante, imobilizando-o sem matar.
Polícia Militar do Espírito Santo, exemplarmente treinada no Método Giraldi de Preservação da Vida, tem conseguido evitar disparar quando outros o teriam feito, e ainda, quando não têm escolha, visar pontos específicos do corpo em que realmente se obtém uma imobilização do criminoso com baixa letalidade. Não é por acaso que temos um incide muito menor que outros estados de óbitos em confronto.
Ocorre que, além dessa capacitação excepcional, eles agem ao menos em dupla, ao passo que o advogado estava em desvantagem numérica. E, ao contrário do que acontece nos filmes, a pessoa baleada não cai imediatamente, dura e já fedendo; muitas vezes, mesmo atingido mortalmente, o criminoso ainda consegue descarregar sua arma na vítima. Todavia, é muito possível que não seja imediatamente reconhecida a legítima defesa no caso do advogado, e que este venha a responder por homicídio, tendo um enorme problema a resolver, ainda que no final seja absolvido.
O que esses dois fatos têm em comum? Em primeiro lugar, percebe-se que um dia é da caça, outro do caçador, sendo que geralmente o assaltante é que sai vencendo. Em segundo, porém mais importante, uma arma de fogo pode até livrar você de um problema, só para arrumar outro pior. 
O particular, além de raramente treinar tanto quanto um profissional da segurança pública, não está sendo sábio em ter uma arma de fogo com a intenção de se defender de crimes contra o patrimônio. E acaba sendo vítima dessa ideia bastante disseminada de que criminosos deveriam ter morte imediata: no final, ele acaba sendo morto ou matando alguém e precisando provar sua inocência; nos dois casos, de outra forma, apenas teriam sido perdidos alguns pertences pessoais, o caso poderia ser registrado e investigado, mas, principalmente, os cidadãos teriam voltado para as suas casas com vida e sem encrencas.
Segurança pública é uma preocupação e “dever” de todos, mas a função de enfrentar malfeitores armados é das polícias. O cidadão não deve correr riscos físicos ou jurídicos. E não é como fantasias ou voluntarismos e heroísmos que essa questão será resolvida. Na vida real, é a boa técnica e as estratégias racionais que preponderam.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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