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Segurança pública

É o criminoso que deve temer a sociedade, não o contrário

Claro que não estamos pregando nenhuma atitude vingativa e muito menos devolver os abusos cometidos por traficantes, mas apenas impor a presença do Estado onde quer que alguém se autointitule senhor da guerra

Publicado em 27 de Outubro de 2024 às 01:00

Públicado em 

27 out 2024 às 01:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Um passo simbólico foi dado pela polícia nesta semana, quando foi presa uma quadrilha de traficantes que aterrorizava moradores de Jardim Camburi, usando de violência para não apenas comercializar substâncias ilícitas, como também impedir até mesmo serviços públicos. Não temos a ilusão de que isso vai acabar com o tráfico nem mesmo na região, mas ao menos coloca as coisas nos seus devidos lugares: é o criminoso que deve temer a reação da sociedade, não o contrário.
Claro que não estamos pregando nenhuma atitude vingativa e muito menos devolver os abusos cometidos por traficantes, mas apenas impor a presença do Estado onde quer que alguém se autointitule senhor da guerra. Note-se que, apesar de os alvos serem traficantes, essa não é uma estratégia que tenha por objetivo combater o tráfico em si, mas devolver a cidade para os cidadãos.
Muito se discute sobre o assunto, mas o fato é que a humanidade ainda não desenvolveu nenhum mecanismo de enfrentamento das drogas que tenha produzido resultados concretos. E, é claro, faz sentido, em tais situações, priorizar outras modalidades criminosas para as quais temos estratégias mais claras.
O Espírito Santo, por exemplo, conseguiu reduzir sua taxa de homicídios pela metade e tudo indica que essa trajetória vai ser mantida; ultimamente, vem criando as condições para dar conta de outro pesadelo da sociedade, que são os crimes patrimoniais, especialmente o roubo e o latrocínio. Contudo, não pode simplesmente ficar parado em relação às drogas, então essa abordagem foi muito inteligente: lembraram aos meliantes que eles é que têm que se esconder, não o morador.
Infelizmente, não é tão fácil fazer o mesmo em outras comunidades em que os habitantes estão mais vulneráveis, pois seguramente essa atuação policial contou com a colaboração dos cidadãos indignados que, no mínimo, fizeram chegar às autoridades o que estava acontecendo.
Se estiverem com muito medo, as vítimas nem denunciam, então seria preciso adotar a mesma estratégia independentemente de um pedido de socorro, porque todos nós sabemos o que acontece em determinadas regiões urbanas em todo o ES e o silêncio delas fala por si.
Conjunto Atlantica Ville
Conjunto Atlântica Ville, em Jardim Camburi, onde os criminosos foram presos Crédito: Vitor Jubini
Vou sublinhar, aqui, algo que venho repetindo o tempo inteiro: esse modo de atuar tem uma vantagem adicional de não causar superlotação, porque não visa à prisão do maior número possível de meliantes. As prisões noticiadas são aquelas que podemos chamar de qualificadas, porque foram precedidas pela colheita de provas e visaram criminosos particularmente nocivos. T
udo bem que, por esse meio, não se espera diminuir a oferta de psicoativos para os consumidores. O tráfico vai continuar, inclusive na mesma região, mas foi um passo importante para devolver a tranquilidade à população e, como bônus, parece ter sido um golpe em organização criminosa de certo tamanho, sem que isso implique piorar a superlotação nos presídios. Tomara que esse tipo de investida se repita.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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