Não, não é pura coincidência que tantas notícias estejam sendo veiculadas na imprensa sobre os perrengues internacionais pelos quais estão passando dois jogadores de futebol, quase ao mesmo tempo. A profissão e a fama apenas aumentam o interesse jornalístico sobre esses casos, mas outros semelhantes estão ocorrendo em grande quantidade no mundo todo, inclusive no Brasil, embora nem sempre ganhem destaque na mídia.
Não vamos falar de tais casos específicos, até porque já tem muita gente emitindo opinião sobre cada aspecto desses episódios. Em vez de discutir se essas condenações criminais são justas ou injustas, corretas ou incorretas, se deveria ter sido concedida fiança etc., parece mais interessante um olhar generalizante.
A sociedade ocidental vem sofrendo rápidas e radicais alterações legislativas, mas principalmente, culturais no que diz respeito em relação ao comportamento masculino aceitável, ao que passa a ser considerado uma violação à dignidade sexual da mulher e até ao que constitui violência. Acontece que essas normas sociais não escritas são vistas pelo Código Penal como critérios para definir o que é permitido, o que não é e o que ultrapassa a barreira e passa a ser tratado como um crime comum. E muitos homens, nem todos tão velhos assim, estão ficando para trás, acham que aquilo que seu avô fazia ainda é perfeitamente “normal”.
Ficar tecnologicamente para trás pode torná-lo desempregado, mas a desatualização social ou jurídica também pode custar a sua liberdade. Isso é particularmente complicado porque as mudanças culturais não ocorrem de forma homogênea em todos os lugares ou ambientes, de maneira que muitas ambiguidades foram criadas e o figurino “adequado” pode surpreender aqueles menos adaptados às novas circunstâncias em que passamos a viver. E, claro, países diferentes têm suas próprias leis. Quem acha que pode agir no estrangeiro como se estivesse no Brasil está ainda mais sujeito a “surpresas” desagradáveis.
Como essa nova tábua de valores não é antiga, como, na verdade, ela não permanece válida nem mesmo por uma geração, tudo aquilo que aprendemos no passado como certo ou errado pode ter mudado.
Enfim, em vez de ficarmos apenas fofocando sobre o que está acontecendo com os outros, com as famosidades, melhor cada um prestar atenção ao que se passa à sua volta e rever seus próprios conceitos, porque podemos nos tornar os próximos encrencados. Não é necessário ter jogado na Seleção ou viver no exterior para tropeçar em linhas fronteiriças que não vimos ou não quisemos ver; quem não se antenar, não atualizar sua visão de mundo ficará sempre flertando com uma ação criminal para chamar de sua.