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Educação

O Brasil precisa cuidar melhor dos seus professores

Como valorizar e promover o desenvolvimento humano e profissional dos professores da educação básica?

Publicado em 30 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

30 jun 2021 às 02:00
Haroldo Corrêa Rocha

Colunista

Haroldo Corrêa Rocha Haroldo Corrêa Rocha
Professor
Sem valorização dos professores, a educação e o desenvolvimento do nosso país não terão sucesso Crédito: Divulgação
Os professores têm a responsabilidade de promover o desenvolvimento das competências e habilidades das crianças, adolescentes e jovens, ou seja, das futuras gerações. Assim, temos que nos perguntar: como estamos cuidando e desenvolvendo as competências e habilidades dos professores? A resposta é que o Brasil cuida muito mal dos seus professores.
Como valorizar e promover o desenvolvimento humano e profissional dos professores da educação básica? Foi para responder a essa pergunta que decidi, depois de dez anos atuando na gestão das redes públicas de ensino estaduais do Espírito Santo e de São Paulo, assumir a Coordenação Geral do Movimento Profissão Docente.
Essa organização surgiu em 2018, da convergência de propósito de cinco importantes instituições da sociedade civil voltadas para apoiar a melhoria da qualidade da educação pública em nosso país, os Institutos Península, Natura e Unibanco, as Fundações Itaú Social e Lemann e o Todos pela Educação. Qual é a missão do Profissão Docente? Apoiar as redes públicas de ensino na concepção e implementação de ações que visem valorizar e promover o desenvolvimento profissional dos professores.
O Profissão Docente atua em quatro frentes de trabalho: aumentar a atratividade da profissão, qualificar a formação inicial, transformar a formação continuada e reestruturar as carreiras docentes.
A atratividade da profissão de professor no Brasil tem se mostrado muito aquém do desejado, pois pesquisas evidenciam que apenas 2,4% dos jovens realizam a opção pela profissão. Este percentual precisa ser ampliado para que tenhamos um quadro de professores de alta performance. Três ações pelo menos precisam ser implementadas.
Primeiro, é preciso que haja ações nos três níveis de governo para estimular os jovens a abraçar a profissão que forma todas as demais profissões. A disseminação de informações precisas sobre a realidade das carreiras docentes junto aos estudantes do ensino médio, de forma a motivá-los a abraçar a profissão de professor, e a adoção de incentivos como bolsas de estudos desenhadas para os cursos de Licenciatura, são alguns dos caminhos possíveis.
Segundo, na formação inicial, as universidades/faculdades públicas e particulares estão desafiadas a revolucionar os seus cursos de formação de professores. A formação de professores precisa estar conectada com o mundo e os desafios das escolas da educação básica que, por sua vez, precisam ser vivenciados pelos jovens em formação desde o início dos cursos.
A implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e dos Novos Currículos demandam uma completa reestruturação das licenciaturas, que devem mudar o foco de formar professores para ensinar conteúdos, para educadores que devem promover o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais, as chamadas competências para o século XXI.
A formação continuada e o desenvolvimento profissional dos professores que já estão nas escolas também devem sofrer forte transformação, pois a implementação dos novos currículos demanda novas competências e habilidades dos docentes. Por outro lado, a pandemia impactou fortemente a educação, impondo a aceleração do uso das tecnologias digitais. É relevante também que o desenvolvimento das competências socioemocionais e a promoção da saúde mental dos educadores passem a fazer parte do cotidiano escolar. Os educadores precisam ser assistidos e apoiados para o seu adequado desenvolvimento humano e profissional.
Terceiro, as carreiras docentes no Brasil estão longe de ser atrativas e estimulantes da melhoria do desempenho, pois são baseadas em conceitos e princípios do passado, superados pela realidade transformadora do século XXI. As novas carreiras precisam ter uma concepção moderna que consiga promover para os futuros e os atuais professores e para a sociedade em geral uma percepção de que os professores serão valorizados, bem como terão a real oportunidade de um desenvolvimento profissional continuado.
A melhoria da qualidade da educação pública brasileira depende da superação de vários desafios, mas o mais relevante é a valorização e o desenvolvimento profissional dos professores, a missão do Profissão Docente.
O Brasil precisa cuidar melhor dos seus professores! Sem valorização dos professores, a educação e o desenvolvimento do nosso país não terão sucesso.

Haroldo Corrêa Rocha

Haroldo Corrêa Rocha Haroldo Corrêa Rocha

É coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, ex-secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo e ex-secretário de Educação do Espírito Santo (2007/2010 e 2015/2018)

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