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Francisco Aurelio Ribeiro

Voto consciente ou tragédia anunciada

Acredito que a maioria dos quem têm mais de 70 anos vá às urnas exercer esse direito, e não mais um dever, pois sabemos o quanto é ruim escolherem por nós quem irá nos governar

Publicado em 21 de Setembro de 2026 às 04:15

Públicado em 

21 set 2026 às 04:15
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

Já passei dos 70 e votar não é mais obrigatório para os 70+. No Brasil, existem, atualmente, mais de 154 milhões de eleitores e eleitoras aptos a votar e, desse total, de 16 a 17 milhões possuem mais de 70 anos. Acredito que a maioria vá às urnas exercer esse direito, e não mais um dever, pois sabemos o quanto é ruim escolherem por nós quem irá nos governar. 


Após o golpe militar de 1964, perdemos o direito de votar para presidente, função que passou a ser exercida pelo Congresso Nacional, em sua maioria subserviente ao poder central. Após derrotas eleitorais do governo, nas eleições estaduais de 1965, os partidos políticos foram extintos, ficando apenas dois: um do governo, a Arena, e uma oposição consentida, o MDB.  Este foi o único partido a que me filiei, desde que completei 18 anos e tirei o título de eleitor, em 1973. 


No ano seguinte, votei pela primeira vez, mas só para prefeito e vereador, e, naquele ano,  os votos oposicionistas mostravam a insatisfação do povo. Em 1979, caiu o binarismo partidário e, em 1982, pudemos votar para todos os cargos, exceto para presidente. 

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Em 1984, vivemos o maior movimento cívico de que já participei na vida, o “Diretas Já”, que lutava pelo voto direto para a Presidência da República, Após 20 anos de ditadura militar, estávamos cansados de ver velhos generais de maus bofes no poder, como o último deles, o Figueiredo, que preferia o cheiro de cavalo ao do povo e pediu que o esquecessem. Impossível, sua má lembrança ainda provoca pesadelos. 


Infelizmente, tivemos, ainda, de passar pelo desgoverno Sarney, que sucedeu ao infeliz Tancredo, que nadou, nadou, pra chegar lá, e morreu na praia. Somente em 1988, com a promulgação da “Constituição Cidadã”, a democracia volta à plenitude, no Brasil, e, em 1989, o povo pôde eleger, após quase 30 anos, um presidente das República, por voto direto. 


Dentre os 22 candidatos do primeiro turno, os mais votados foram o Collor de Melo e o Lula, e, desgraçadamente, o povo escolheu o primeiro deles, que se intitulava o “caçador de marajás”, quando era o próprio das Alagoas. Ficou de 1990 a 1992 na presidência, quando renunciou para não sofrer impeachment pelo Congresso Nacional. 


Teve os direitos políticos cassados por alguns anos, mas voltou como senador eleito pelo povo alagoano, de 2007 a 2023. Nesse ano, foi condenado pelo STF por corrupção ativa e passiva e, atualmente, cumpre pena em regime domiciliar. Collor foi  mais novo presidente a ser eleito, tinha 40 anos, e o primeiro a sofrer processo de impeachment. 


 Agora, vivemos um período semelhante ao de 89. Temos 12 candidatos concorrendo, entre os quais Ronaldo Caiado e Lula, remanescentes da histórica eleição de 1989. Mais uma vez, a eleição está polarizada entre candidatos de esquerda e de direita, o Lula, candidato do PT, e o Flávio Bolsonaro, do PL. Lula disputa a sua sexta eleição para presidente, tendo perdido três e ganhado três.  

Urna eletrônica ABr Edson Chagas

Flávio Bolsonaro foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos, de 2002 a 2018, quando ficou conhecido pelo episódio das “rachadinhas”, por receber parte do salário dos assessores. Em 2018, foi eleito senador e nesses oito anos de mandato aprovou um único projeto que trata do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado. Quem acessar o perfil de Flávio Bolsonaro na insuspeita “Wikipédia” ficará estarrecido com o perfil ideológico do candidato e como tem exercido seus cargos políticos, sua única profissão até hoje,  com a qual se tornou milionário, aos 35 anos de idade, a ponto de ter comprado, à vista, uma mansão em Brasília por 5,97 milhões, em 2021. Uma nova Casa da Dinda? Sobre esse candidato, diz  um artigo do “Congresso em Foco”, citado na Wikipédia: “Não há registro de políticas transformadoras ou projetos de impacto nacional que possam credenciá-lo como líder capaz de enfrentar os desafios do pais. 


Sua atuação parlamentar se limita a iniciativas alinhadas ao grupo político que representa, sem demonstrar visões estratégicas ou compromisso com a sociedade”. Subserviente aos EUA, a Israel, admirador dos líderes da extrema-direita mundiais, quem escolher Flávio Bolsonaro nas urnas estará conduzindo o Brasil ao abismo e, após eleito, será difícil retirá-lo do poder, alinhado a um Congresso com ele aparelhado e a um STF desacreditado. Daí, a importância do voto consciente nas eleições que se avizinham.

Francisco Aurelio Ribeiro

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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