Como já dissemos aqui, existe uma tradição de que o mês de agosto traz azar, má sorte ou que seja perigoso para a vida humana. Coincidência ou não, muitas pessoas famosas morrem neste mês, como aconteceu recentemente com as atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes.
O nome agosto vem do latim Augustus e é assim chamado em homenagem ao imperador César Augusto, assim como o mês anterior homenageia o também imperador romano Júlio César. O que sei é que, na minha família, acostumei-me, desde pequeno, a ouvir de meu avô: “Prepara-te para agosto!”. Quando lhe perguntava o porquê, ele dizia. “Agosto é frio e seco; se não se prevenir, antes, pode faltar comida”. Imigrante italiano, ele sabia, na prática, a moral da fábula “A cigarra e a formiga”: Trabalha e guarda no verão, para comer no inverno. E inverno, aqui, era em agosto, pelo menos no Caparaó, onde vivia.
Nasci em agosto e, para mim, era o melhor mês do ano, pois sempre gostei de frio, muita chuva me deprime, afinal sou regido pelo Sol, e adorava esperar o dia 22, para a festinha que mamãe fazia, com bolinho, refris, docinhos e uma blusa de lã que ela tricotava e me dava de presente de aniversário.
Nem me lembro se ganhava outros presentes. Talvez uma caneca ou qualquer outra coisa de utilidade. Naquela época, comemoração de aniversário era coisa simples, não tinha a superprodução que os pais fazem hoje para crianças que têm muito e continuam carentes de tudo.
Todavia, nunca me esqueci, quando o Carequinha cantou “O bom menino”, na rádio Aparecida, dedicando-a a mim, o Francisco, lá de Ibitirama, filho de nossa radiouvinte Dona Maria “que hoje completa oito anos”. De tudo que ganhei na vida, talvez esse tenha sido o melhor presente, juntamente com a coleção de livros do “Tesouro da Juventude”, no meu aniversário de dez anos, e que me acompanhou pela juventude afora.
Sei que em agosto teve início a I Guerra Mundial, os americanos explodiram a bomba atômica sobre os japoneses na II Guerra, morreram os presidentes Juscelino e Getúlio e os políticos Miguel Arraes e Eduardo Campos. Jânio renunciou também em agosto. No entanto, também aconteceu muita coisa boa: nasceram Oswaldo Cruz, Caetano Veloso, Andy Warhol, Gonçalves Dias e Jorge Amado, dentre tantos outros artistas, pesquisadores e escritores.
Não se pode esquecer ainda que a Assembleia Nacional Constituinte aprovou o fim da censura e da tortura e proclamou a liberdade de expressão intelectual e de imprensa no Brasil, em agosto de 1988. Não viramos uma Coreia do Norte, uma Venezuela, uma Cuba, uma Rússia, que prendem e matam os opositores ao regime no poder. Apesar de tudo, ainda vivemos numa democracia, “a pior forma de governo, excetuando-se as demais”, segundo Churchill.
Desastres e tristezas, violência e mortes há em todas as épocas. Janeiro, época de enchentes, para mim, é mês de tristes lembranças. Por isso, não se justifica a triste fama do mês de agosto. Ele é o fim de um ciclo natural da vida, que se inicia com a primavera, em setembro. Daí, as muitas mortes, sobretudo de idosos, em agosto. É natural.
Cecília Meireles, em sua poética sabedoria, nos dizia que é preciso aprender com a natureza a, depois de secar e de perder as folhas no inverno, rebrotar na primavera. Agosto é, também, o mês da esperança, uma “promessa de vida em seu coração”. Não é o fim do caminho, mas a retomada de forças para o início de um novo percurso, que virá com a primavera.