Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Francisco Aurelio Ribeiro

Agosto, mês do desgosto?

Coincidência ou não, muitas pessoas famosas morrem neste mês, como aconteceu recentemente com as atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes

Publicado em 24 de Agosto de 2026 às 03:00

Públicado em 

24 ago 2026 às 03:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

Como já dissemos aqui, existe uma tradição de que o mês de agosto traz azar, má sorte ou que seja perigoso para a vida humana. Coincidência ou não, muitas pessoas famosas morrem neste mês, como aconteceu recentemente com as atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes


Glória Menezes e Laura Cardoso
Glória Menezes e Laura Cardoso Reprodução

O nome agosto vem do latim Augustus e é assim chamado em homenagem ao imperador César Augusto, assim como o mês anterior homenageia o também imperador romano Júlio César. O que sei é que, na minha família, acostumei-me, desde pequeno, a ouvir de meu avô: “Prepara-te para agosto!”. Quando lhe perguntava o porquê, ele dizia. “Agosto é frio e seco; se não se prevenir, antes, pode faltar comida”. Imigrante italiano, ele sabia, na prática, a moral da fábula “A cigarra e a formiga”: Trabalha e guarda no verão, para comer no inverno. E inverno, aqui, era em agosto, pelo menos no Caparaó, onde vivia. 


Nasci em agosto e, para mim, era o melhor mês do ano, pois sempre gostei de frio, muita chuva me deprime, afinal sou regido pelo Sol, e adorava esperar o dia 22, para a festinha que mamãe fazia, com bolinho, refris, docinhos e uma blusa de lã que ela tricotava e me dava de presente de aniversário. 


Nem me lembro se ganhava outros presentes. Talvez uma caneca ou qualquer outra coisa de utilidade. Naquela época, comemoração de aniversário era coisa simples, não tinha a superprodução que os pais fazem hoje para crianças que têm muito e continuam carentes de tudo. 


Todavia, nunca me esqueci, quando o Carequinha cantou “O bom menino”, na rádio Aparecida, dedicando-a a mim, o Francisco, lá de Ibitirama, filho de nossa radiouvinte Dona Maria “que hoje completa oito anos”. De tudo que ganhei na vida, talvez esse tenha sido o melhor presente, juntamente com a coleção de livros do “Tesouro da Juventude”, no meu aniversário de dez anos, e que me acompanhou pela juventude afora.

Veja Também 

Estiagem longa provoca o esvaziamento do rio Paranapanema, na divisa dos estados de São Paulo e Paraná, baixando o nível de água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Capivara

Cuidado com agosto, o mês do desgosto

A Biblioteca Pública Municipal Adelpho Poli Monjardim está localizada no Casarão Cerqueira Lima, na Cidade Alta, no Centro Histórico de Vitória

Escritores, leitores e aniversário da Biblioteca Adelpho Poli Monjardim

Imagem de destaque

Estive recentemente em Cabo Verde, a terra do Vozinha

Sei que em agosto teve início a I Guerra Mundial, os americanos explodiram a bomba atômica sobre os japoneses na II Guerra, morreram os presidentes Juscelino e Getúlio e os políticos Miguel Arraes e Eduardo Campos. Jânio renunciou também em agosto. No entanto, também aconteceu muita coisa boa: nasceram Oswaldo Cruz, Caetano Veloso, Andy Warhol, Gonçalves Dias e Jorge Amado, dentre tantos outros artistas, pesquisadores e escritores. 


Não se pode esquecer ainda que a Assembleia Nacional Constituinte aprovou o fim da censura e da tortura e proclamou a liberdade de expressão intelectual e de imprensa no Brasil, em agosto de 1988. Não viramos uma Coreia do Norte, uma Venezuela, uma Cuba, uma Rússia, que prendem e matam os opositores ao regime no poder. Apesar de tudo, ainda vivemos numa democracia, “a pior forma de governo, excetuando-se as demais”, segundo Churchill.


Desastres e tristezas, violência e mortes há em todas as épocas. Janeiro, época de enchentes, para mim, é mês de tristes lembranças. Por isso, não se justifica a triste fama do mês de agosto. Ele é o fim de um ciclo natural da vida, que se inicia com a primavera, em setembro. Daí, as muitas mortes, sobretudo de idosos, em agosto. É natural. 


Cecília Meireles, em sua poética sabedoria, nos dizia que é preciso aprender com a natureza a, depois de secar e de perder as folhas no inverno, rebrotar na primavera. Agosto é, também, o mês da esperança, uma “promessa de vida em seu coração”. Não é o fim do caminho, mas a retomada de forças para o início de um novo percurso, que virá com a primavera.


Francisco Aurelio Ribeiro

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Acima: João Calmon, Gerson Camata, José Ignacio Ferreira, Magno Malta, Ricardo Ferraço e Marcos do Val. Abaixo: Fabiano Contarato e Renato Casagrande
ES nunca elegeu dois senadores de esquerda e centro-esquerda de uma vez. Será agora?
Palácio do Planalto, em Brasília
Os candidatos à presidência e o desafio do cargo que pode muito, mas não pode tudo
Imagem de destaque
Tarot do dia: previsão para os 12 signos em 24/08/2026

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados