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Eleições 2022

Tempos fraturados: como consertar um país dividido?

Esquerda e direita se digladiam, atacando-se mutuamente, numa tentativa de convencer o eleitor de que têm um melhor projeto para conduzir o país

Publicado em 26 de Setembro de 2022 às 00:15

Públicado em 

26 set 2022 às 00:15
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Estamos a menos de uma semana das próximas eleições, talvez a mais importante dos últimos 30 anos em nosso país. Tirei meu título de eleitor em 1973, aos 18 anos, e votei nas eleições para vereador e prefeito em 74, 76, 78 e 82. Eu me filiei ao MDB, o único partido de oposição durante a ditadura militar, liderado por Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e outros próceres da democracia.
Foram anos muito difíceis até o restabelecimento da democracia plena, com a promulgação da Constituição de 1988 e as primeiras eleições para presidente, em 1989. Infelizmente, a maioria escolheu o Collor, página infeliz de nossa história, que, mesmo sendo expulso do cargo, voltou ao Congresso Nacional como senador por Alagoas, um dos mais pobres estados da União. Que falta fazem a educação e o esclarecimento do povo!
Agora, estamos, de novo, com o país dividido. Esquerda e direita se digladiam, atacando-se mutuamente, numa tentativa de convencer o eleitor de que têm um melhor projeto para conduzir o país. De um lado, o presidente no poder fala em Deus, Pátria e Família, o mesmo slogan nazifascista, e usa o maior símbolo da pátria, a bandeira nacional, em sua campanha, como se ela fosse não a bandeira de todos os brasileiros, mas apenas dos que o apoiam e o chamam de mito, em motociatas, jetskiatas e cavalgadas nacionalistas. Já vimos esse filme na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler, na Espanha franquista, em Portugal salazarista e no Brasil das ditaduras getulista e militarista.
Do outro lado, temos Lula, que deseja voltar ao poder e retomar um projeto de governo mais social, interrompido pelo golpe proferido pelo Centrão, onde estava o atual presidente, contra a Dilma. Grandes são as rejeições aos dois lados e a opção por uma terceira via concentrada em Ciro Gomes ou Simone Tebet não convenceu a maior parte dos eleitores. Provavelmente, haverá segundo turno, e veremos se o resultado das urnas será respeitado. O atual presidente ameaça não reconhecer o resultado, se não tiver a maioria dos votos. O cenário futuro é incerto e sombrio.
Quanto às eleições legislativas, muita coisa precisa ser mudada. Primeiro, acabar com a prática hedionda da reeleição. Ninguém deveria ser reeleito. Mandato político não é cargo nem profissão. É tão somente uma função que, após exercida por um representante do povo, esse deveria ser substituído por outro. Não se justificam vereadores, deputados, senadores, por dezenas de anos exercendo essa função até a aposentadoria por algum instituto criado por eles. Também se deveria extinguir a reeleição para cargos executivos - prefeitos, governadores e presidente. É ilegal e imoral o mandatário no exercício do cargo fazer campanha para si próprio, como fez o atual presidente em Londres e Nova York. No mínimo, deveria se licenciar três meses antes.
O fundo eleitoral é necessário, porém injusto. Ele é mal distribuído e privilegia os detentores de cargos. Aos iniciantes, restam migalhas, quando as há. A cota para mulheres é mal aplicada. Muitas entram como laranja, não fazem campanha, não têm votos, recebem algum pela participação, mas a maior parte da verba fica para quem a administra. Pouca renovação é esperada no Congresso Nacional. Talvez só ocorra significativamente nas assembleias legislativas.
No título deste artigo, referi a um livro de Eric Hobsbawm, o maior filósofo dos nossos tempos. Nele, afirma que um elemento que determinou a forma da era em que vivemos “foi a crise de valores e perspectivas tradicionais, talvez, acima de tudo, o abandono da velha crença no progresso global da razão, da ciência e da possibilidade de melhorar a condição humana”.
O que observamos no crescimento da extrema-direita e do autoritarismo, no Brasil, na Itália, na França, na Rússia, entre outros países, sinaliza para isso: a perda da razão, a descrença na democracia e no seu alicerce tripartite, executivo, legislativo e judiciário, e o descrédito na ciência. Apesar de tudo, a democracia é, ainda, o melhor dos regimes políticos, nos dizia Churchill.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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