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Literatura

Na Semana do Livro e da Biblioteca, pouco temos a comemorar

Jovens, crianças e adultos passam tempo demais teclando, compartilhando fotos e vídeos desnecessários, enquanto poderiam estar ocupando melhor seu tempo lendo um bom livro

Publicado em 25 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 out 2021 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Biblioteca
Os livros surgiram há centenas de anos e, desde então, continuam maravilhando as gerações com as suas histórias Crédito: Pixabay
Hoje, 25 de outubro, inicia-se no Brasil a semana em comemoração ao livro e à biblioteca. No dia 29, na sexta, comemora-se o Dia Nacional do Livro, data em que se celebra, nacionalmente, uma das invenções mais enriquecedoras do ser humano: o livro. O livro pode ser uma fonte inesgotável de conhecimento e de prazer, transportando os leitores para os lugares mais espetaculares da imaginação humana, além de informar e ajudar a diversificar o vocabulário das pessoas, ampliando sua visão de mundo.
Os livros surgiram há centenas de anos e, desde então, continuam maravilhando as gerações com as suas histórias fantásticas, maravilhosas, realistas ou populares, registrando os principais acontecimentos da história da humanidade e o seu imaginário. O Dia do Livro surgiu em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional, em 29 de outubro de 1810, pela Coroa Portuguesa. Na época, D. João VI trouxe para o Brasil milhares de peças do acervo da Real Biblioteca Portuguesa, formando o princípio da Biblioteca Nacional do Brasil, uma das dez maiores do mundo. Importa lembrar que o Brasil começou a editar seus próprios livros ainda em 1808, quando D. João VI fundou a Imprensa Régia.
O primeiro livro editado no Brasil foi "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, que continua vendendo até hoje, sobretudo como leitura indicada pelos professores nas escolas. Hoje, o mercado livreiro em nosso país tenta superar as crises por que tem passado já há algum tempo. A produção e a venda de livros aumentaram durante a pandemia, principalmente no espaço virtual, mas a rede física de livrarias e de editoras sucumbiu, sobretudo as pequenas.
O baixo poder aquisitivo é uma das causas, mas também há a influência avassaladora da internet e das redes sociais. Jovens, crianças e adultos passam tempo demais teclando, repassando mensagens insignificantes, compartilhando fotos e vídeos desnecessários para sua formação, perdendo tempo com trivialidades, enquanto poderiam estar ocupando melhor seu tempo lendo um bom livro, aprendendo algum conhecimento novo, uma língua estrangeira, por exemplo, ou a sua própria, já que terminam o Ensino Fundamental e Médio mal sabendo ler e escrever. A leitura de e-books ainda é insignificante no Brasil, e a maioria ainda prefere o livro físico ao digital.
De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, as vendas de livros cresceram no Brasil no primeiro semestre deste ano. Em relação ao mesmo período em 2020, o aumento foi de 46,5%. Entre as crianças de 5 a 10 anos, a proporção de leitores subiu de 67% para 71%, de 2015 a 2019. Além disso, o levantamento apontou que essa faixa etária prefere os livros físicos aos digitais.
Ainda assim, também houve alta nas vendas de e-books e audiolivros. O crescimento no setor em 2020 foi de 43% em meio à pandemia da Covid-19. O mesmo não ocorreu com a frequência às bibliotecas. Fechadas durante a pandemia, elas tentam se reinventar para manter ou cativar usuários, mas a crise no setor é grave, séria e difícil de transpor. Como leitor voraz e frequentador de bibliotecas desde a infância, só tenho a lamentar que pouco temos a comemorar nesta Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, o paraíso segundo J.L. Borges.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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