Amanhã (12) é o Dia das Crianças e, infelizmente, muitas delas não terão motivo para comemorar, pois estão nas ruas, sós ou acompanhadas de outros tão miseráveis quanto elas, pedindo dinheiro nos sinais, fazendo malabares ou vendendo paçoca. Crianças que deveriam estar na escola, em tempo integral, aprendendo, alimentando-se, adquirindo conhecimento e cultura, têm sua infância cortada pela raiz, vítimas de uma sociedade perversa e com uma riqueza mal distribuída.
Grande também é o número de mulheres grávidas, viciadas em crack e outras drogas, cujos filhos já nascerão, se nascerem, condenados. O Brasil precisa executar um sério controle de natalidade, ter um plano efetivo de assistência familiar. Medidas paliativas como o Bolsa Família não são suficientes para diminuir as diferenças de classe ou dar segurança alimentar a essas famílias de extrema pobreza. Vivemos em meio à violência familiar, com a morte de mulheres, a cada minuto, e as crianças têm participado, quase sempre, dessas carnificinas.
Como se não bastasse, mesmo em meio a famílias de bom ou médio poder aquisitivo, vemos cenas que nos horrorizam, pelo que representam do momento em que vivemos. Quando jovem, fui obrigado a fazer o serviço militar, embora fosse órfão, arrimo de família, trabalhasse o dia inteiro e estudasse à noite.
Era época da ditadura militar e o que fizeram comigo foi uma forma de me punir por não me adequar à ideologia militarista. Sou pacifista por princípio e abomino toda e qualquer arma. Como disse Rachel de Queiroz, arma de fogo só tem uma finalidade, matar, não serve para mais nada. Quanto menos armas circulando na sociedade, menor o número de mortes e assassinatos. É estatística.
O sargento que nos comandava, no TG 278 de Guaçuí, colocava o filho dele à frente do pelotão, marchando conosco, fardado como nós, mas não me lembro se portava arma de brinquedo. Era apenas um soldadinho orgulhoso, marchando com o pai, e todos aplaudiam.
Na comemoração dos mil dias de desgoverno de Bolsonaro, fizeram um comício em Belo Horizonte e, na frente do palanque, estava uma criança assustada, vestida de militar e com um fuzil nas mãos semelhante aos verdadeiros. Foi posta ali, contra a sua vontade, pela carinha dela, para servir de propaganda para o genocida.
Ele pegou a criança, desmascarado e não vacinado, colocou-a aos ombros; ela, apavorada, demonstrava o desprazer sentido naquele momento de terror. Posta no chão, o imbecil pegou a arma dela e simulou dar tiros para o ar, como tem feito frequentemente, até em igrejas ditas evangélicas. A foto correu o mundo e sociedades de pediatras e de Direitos Humanos protestaram contra o vilipêndio da criança. Vamos aguardar os próximos capítulos dessa série de horrores.