Após Cruzeiro e Botafogo, o Vasco anunciou nesta segunda-feira (21) que é mais um grande clube a viabilizar sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para repassar os direitos de gestão do
futebol para um grupo empresarial. Assim como no time celeste e no alvinegro, o Gigante da Colina vê a oportunidade como uma tábua de salvação para sonhar novamente com dias de glória.
Só em observar os valores já é possível perceber porque os clubes estão mergulhando de cabeça nesta nova possibilidade. É difícil imaginar no mundo real que o Vasco, sufocado há anos por uma crise financeira e política, teria uma outra maneira de liquidar uma dívida de R$ 700 milhões. O mesmo vale para Botafogo e Cruzeiro, que após trágicas administrações alcançaram dívidas de R$ 1 bilhão. Mas, na prática, como a SAF se propõe a resolver esse problema?
Conforme a lei, a Sociedade Anônima do Futebol pode ser constituída pela transformação do clube ou pessoa jurídica, e possibilita a cisão do departamento de futebol e transferência do seu patrimônio relacionado à atividade esportiva. A empresa que assume a gestão pode explorar direitos de propriedade intelectual de terceiros relacionados ao futebol, exploração econômica de ativos, inclusive imobiliários, sobre os quais detenha direitos, e a participação na sociedade, como sócio ou acionista, além de diversas outras atividades conexas ao futebol masculino e feminino.
Na
SAF é criada uma nova empresa, zerada e sem dívidas, para a qual é transferida a administração do futebol do clube. Esta nova empresa fica separada da associação civil sem fins lucrativos, que é onde estão os graves problemas financeiros. O ponto alto de ceder a gestão do esporte para um grupo empresarial é que ele assume essa dívida que o clube jamais teria condições de pagar pelos seus próprios esforços, uma vez que se encontra em um estágio incapaz de reverter sua situação econômica.
A legislação brasileira também prevê que a SAF repasse 20% de sua receita ao clube associativo nos primeiros seis anos. Nos outros quatro anos, a taxa da SAF repassada ao clube pode se manter em 20% ou cair para 15%.
Com tantos benefícios para os clubes é impossível não pensar o que leva um investidor ou um grupo financeiro a embarcar nessa jornada. E a resposta é óbvia: o potencial gigante de lucro que os time de massa oferecem. Cruzeiro, Botafogo e Vasco podem se tornar em máquinas de fazer dinheiro nas mãos certas. Infelizmente como estiveram anos em mãos erradas chegaram à beira do colapso.
Vale destacar que a desvalorizada moeda brasileira contribui muito para isso. O empresário inglês John Textor, que vai gerir a SAF do Botafogo já atua na Europa, onde obviamente tem seu patrimônio em euros, libras e demais moedas do continente. O total de R$ 1,4 investido no Glorioso é o equivalente a 250 milhões de euros, o que para um investidor desse tamanho nem é tanto dinheiro assim. Um outro exemplo: em 2017, o Paris Saint-Germain desembolsou 222 milhões para comprar o passe de Neymar. É o mesmo que dizer que com 28 milhões de euros a mais, o PSG seria capaz de comprar a SAF do Botafogo.
Como os clubes brasileiros acabam não se mostrando muito "caros" aos investidores, eles entendem como um ótimo negócio a administração de um time que possui uma legião de apaixonados e consequente um potencial de lucro absurdo. Com uma gestão séria e profissional, Ronaldo, John Textor e a 777 Partners terão condições de obter ótimos vencimentos em um futuro não muito distante.
Já os clubes se agarram à chance de um recomeço. De ver sua história ser restaurada e seu patrimônio ser bem cuidado, o que é empresarialmente perfeito. Em campo a história é outra. O futebol está longe de ser uma ciência exata. Não há nenhuma garantia que títulos e resultados virão. Mas com o novo investimento, o time se torna mais competitivo e as chances de conquistas se se tornam maiores, principalmente quando comparada à realidade atual. Aguardemos o futuro.