Mesmo sem saber ao certo se a primeira onda da Covid-19 chegou ao fim, Portugal está à espera da segunda onda no país. Com os aumentos de casos em diversos países europeus como Espanha, Inglaterra e França, Portugal coloca todo o país em estado de contingência a partir de hoje (15/09), recurso este para adotar medidas mais eficazes de controle para evitar a contaminação desenfreada da população.
O primeiro ministro António Costa afirmou que as medidas tomadas, dentre elas a redução do horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, a proibição do consumo de álcool nas ruas, a redução do número de pessoas que podem se reunir (nos restaurantes, por exemplo, grupos de no máximo quatro pessoas), jogos de futebol sem torcidas e muitas outras, estão em primeiro lugar relacionadas com a evolução dos óbitos e, em segundo lugar, com a capacidade de resposta em termos de cuidados intensivos.
O uso de máscaras em ambientes fechados continua obrigatório e o afastamento social também. O fato é que com o risco da chegada de uma segunda onda, todos já estão cientes dos riscos e ninguém poderá dizer que não foi avisado. O grande risco continua sendo o colapso no sistema nacional de saúde, que não tem capacidade para atender a todos que necessitam de cuidados intensivos e, ao mesmo tempo, atender às outras ocorrências médicas.
Embora Portugal tenha demonstrado uma diminuição nos números de novos contágios no mês de agosto e adotado um controle mais efetivo nos locais de novos focos de contaminação, principalmente nos lares de idosos, em 15 dias tudo mudou. A região Norte teve um grande crescimento de casos e a região de Lisboa continua liderando o número de contaminações.
Com o fim do verão e o início das aulas presenciais, mais de 1,9 milhões de alunos passarão a circular pelas cidades, boa parte deles utilizando os serviços públicos de transporte e movimentando também pais, professores e encarregados de ensino, fato que não ocorre desde 13 de março, início da quarentena portuguesa. Também é importante destacar o início do outono, que normalmente é uma época mais propícia para o aparecimento de outras viroses, como, por exemplo, a gripe.
Enquanto a vacina não vem e não se tem a desejada imunização geral da população, Portugal parece estar dividido entre aqueles que acham que o país está preparado para uma segunda onda e aqueles que temem que o país não tenha feito a lição de casa de forma correta e, como consequência, venha a sofrer muito mais agora, com a economia já combalida e com a longa quarentena.