Em meio às últimas notícias de estabilização do número de casos da Covid-19 em Portugal, o país se prepara para retomar a economia e destravar muitas normas impeditivas e restritivas de abertura de empresas e circulação de pessoas. O governo socialista prorrogou o decreto de Estado de Emergência até o dia 2 de maio e tem agora o desafio de colocar a economia para funcionar em meio há muitas dúvidas em relação ao funcionamento das empresas e o restabelecimento do convívio social. Entretanto, comenta-se que o governo pensa em decretar situação de calamidade pública a partir de 3 de maio.
O fato é que o governo já não dispõe de uma ampla maioria para suas medidas na Assembleia da República. Com o passar do tempo e as sucessivas renovações do Estado de Emergência, mais partidos pressionam o governo para liberação de vários segmentos comerciais.
Por outro lado, a dúvida do governo na liberação das atividades e na volta da circulação de um grande contingente de pessoas nas ruas tem haver com o risco de uma segunda onda do vírus. O que seria um desastre para quem controlou tão bem a pandemia até aqui. Assim, a grande dificuldade será manter de alguma forma o trabalho em conjunto com o isolamento social.
As medidas que o governo português têm tomado de natureza econômica visando atenuar os efeitos perversos de uma longa quarentena tem lá seus efeitos colaterais. Embora não se saiba ao certo o que pode ou não funcionar, o governo está pressionado a liberar parte das atividades comerciais, nem que seja aos poucos, num ritmo econômico lento e, assim, tentar frear o aumento do desemprego e a falência de muitas empresas já em estado crítico.
Além disso, Portugal teme por uma estagnação econômica em função da grande adesão ao sistema de “lay-off”(suspensão dos contratos de trabalho). Mais de 85 mil empresas aderiram ao sistema, atingindo mais de 1 milhão de trabalhadores. Com a liberação das escolas do primeiro ao nono ano pelo sistema EAD em meados de abril e com encerramento previsto do ano letivo em julho, o governo deixou claro que exita em retornar às aulas pelo sistema presencial. Já com relação às universidades, ficará a critério das mesmas se retomam presencialmente ou não.
Apesar disso, o achatamento da curva da pandemia pode dar ao governo uma margem maior para manobras na implementação das novas medidas. Algumas dúvidas são evidentes, como a obrigatoriedade de uso de máscaras (já que não há máscaras disponíveis para todos), a higiene e limpeza nos locais públicos, horários diferenciados para funcionamento de empresas e escolas, a implementação de medidas de controle do ir e vir das pessoas e, é claro, regras para o funcionamento das atividades comerciais. Apesar de retomar o funcionamento da atividade comercial, ninguém tem dúvidas de que o caminho será longo e doloroso.