A pandemia do coronavírus chega na sua fase mais decisiva, com o desconfinamento total das atividades na Europa. Em Portugal não é diferente: fronteiras foram abertas, comércio liberado para funcionamento, indústria retomando a produção e a área de serviços voltando aos poucos e, talvez, esse setor leve muito mais tempo para sua retomada total.
Estamos em pleno verão e as praias começam a lotar de gente. No caso de Portugal, os frequentadores são principalmente portugueses, espanhóis, holandeses e franceses. A grande ausência este ano é dos ingleses, em função da restrição imposta pelo governo britânico: a quarentena obrigatória a quem chega de terras portuguesas. Sem contar com as ausências dos chineses e brasileiros.
Embora o acordo de ajuda financeira aos países pela União Europeia ainda não tenha saído, os países da zona do euro têm importantes medidas para adotar na relação institucional e diplomática entre eles e também, as medidas de natureza de saúde pública, visando conter uma possível segunda onda do vírus entre o outono e o inverno, enquanto uma vacina não chega. As informações são desencontradas. Os números não batem. O fato é que as aulas retornam no continente europeu no mês de setembro e ainda existem muitas dúvidas com relação ao funcionamento do ensino fundamental e também em relação ao ensino superior.
Para ficar com o exemplo português, o governo de Portugal anda batendo cabeça se o ensino será presencial ou híbrido e, para agravar a situação, conta ainda com os efeitos do aumento de casos na cidade de Lisboa, sendo obrigado, mesmo que tardiamente, a adotar medidas de calamidade em 19 bairros da Grande Lisboa. O número de novos casos em Portugal está concentrado em mais de 80% nessa região.
O total de infectados no país passa um pouco de 48.636, novos casos 246, o número de mortes registradas até o momento é de 1.689, de pacientes recuperados é de 33.369 e 467 pessoas estão internadas. De campeão do combate ao Covid-19 na Europa, Portugal viu seu placar amargar a lanterna, só na frente da Suécia e Luxemburgo, foi um dos últimos países a conter a doença, com um índice de contaminação na casa dos 1,2. O fato é que o governo já conta com divergências dentro do próprio partido socialista e o primeiro ministro Antonio Costa, terá que se desdobrar para conter o fogo amigo e a batalha diária com a oposição.
O governo tenta atenuar esses impactos com medidas restritivas de circulação e de afastamento social. Só que, na prática, as pessoas passaram a circular mais e a relaxar nas medidas de proteção. Com o verão muitos estão de férias e naturalmente, vão mais para a rua, as praias ficam cheias e o nível de contaminação pode aumentar.
A espera do acordo de ajuda financeira, mesmo diante do cenário de uma redução dos subsídios, a Europa refaz as suas contas e expõe as feridas da comunidade europeia já fragilizada pela saída do Reino Unido e coloca em cheque a liderança da Alemanha. Além do que, ainda terá que resolver as diferenças entre os países mais atingidos pela pandemia e mais fragilizados economicamente.