Depois de um longo período de silêncio e de idas e vindas, a União Europeia sinalizou na semana passada que poderá conceder um apoio financeiro na ordem de 750 bilhões de euros para os países impactados na zona do euro pela pandemia do coronavírus. Com isso, o Banco Central Europeu espera assegurar o financiamento imediato dos Estados membros, mergulhados na pior recessão da história, com uma quebra prevista de 20% do PIB – Produto Interno Bruto – depois do longo tempo de paralisação da economia.
Ainda temendo uma nova onda do vírus, os países mais afetados na Europa, como a Itália e Espanha, começam a restabelecer a vida cotidiana com a flexibilização de várias atividades. Aqui em Portugal, os novos casos estão concentrados na região de Lisboa, com quase 90%. Aqui entramos na chamada terceira fase: liberação do funcionamento de praticamente todas as atividades, com exceção dos grandes eventos musicais, que ficarão para outubro, e a abertura da fronteira com a Espanha para julho.
O governo português trabalha para impulsionar a economia, mas conta com os subsídios oficiais da União Europeia na ordem de 48,5 bilhões de euros, divididos entre subvenções a fundo perdido e empréstimos. A previsão é que Portugal será o oitavo país com a maior parcela nessa distribuição. Entretanto, a iniciativa privada tem dúvidas se o dinheiro irá chegar mesmo na ponta.
Isso por que, no momento, há questionamentos de que o governo tem sido muito burocrático enfatizando mais os discursos do que a prática, quando se trata da liberação dos recursos para as empresas e também para os trabalhadores, que se encontram em layoff.
Apesar disso, o governo português acredita que o real tamanho da crise e a velocidade da retomada econômica dependerão muito da capacidade financeira das empresas em endividar-se e contrair novos recursos. Além disso, com a retração do PIB e do número de desempregados aumentando (a previsão do FMI é de 13,9% para o ano de 2020), o governo teme por uma estagnação econômica. Muito dependente do turismo, setor que possui uma larga cadeia produtiva e foi duramente atingido, este será provavelmente o último a se recuperar, o que leva os economistas portugueses a prever uma retração do PIB superior a 6,5%.
Assim, voltando aos poucos a movimentar a economia, Portugal aguarda a aprovação das medidas que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, evitou recorrer como as expressões “união das transferências” ou simplesmente “coronabonds” para não deixar a impressão que a União Europeia é uma bengala para os países já endividados. Agora, resta esperar pela confirmação dos valores e a aprovação do plano.