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Efeitos da pandemia

O que realmente separa os brasileiros de Portugal?

O principal impacto econômico dessa redução da população brasileira em Portugal, depois do turismo, será no mercado imobiliário português, principalmente no segmento de alugueis

Publicado em 07 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 jul 2020 às 05:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Portugal
Com a pandemia, menos brasileiros devem conseguir entrar em Portugal Crédito: Divulgação
Os brasileiros entraram na lista dos não bem-vindos na Europa, conforme divulgado pela União Europeia, no início desse mês. É claro que por conta da proximidade, da língua em comum e dos interesses econômicos, existe uma série de condicionantes que permitem a entrada de brasileiros partindo de São Paulo e do Rio de Janeiro, desde que sejam titulares dos cartões de autorização de residência em Portugal, e que, conforme a resolução o ingresso seja “por motivos profissionais, de estudo, de reunião familiar, por razões de saúde ou por razões humanitárias e de acordo com o princípio da reciprocidade”.
Além disso, os passageiros terão que apresentar comprovativo de teste negativo ao Covid-19, realizado nas últimas 72 horas que antecedem o embarque. Na prática, só os turistas estão impedidos de entrar no território português.
O governo de Portugal tenta minimizar os impactos dessas medidas, tanto do ponto de vista institucional, bem como do ponto de vista econômico. Os problemas domésticos gerados pela pandemia já contaminaram o ambiente político. O governo socialista já não conta com o apoio da maioria e necessitará de grande esforço para fazer frente as novas demandas que se impõe, para mitigar a crise instalada.
Mas o que de fato separa os brasileiros de Portugal? Com o arrastar da pandemia, o número de brasileiros vindo para Portugal em 2020 deve cair sensivelmente. Não só pelos motivos evidentes das restrições para a entrada de turistas, mas também pela diminuição dos que vierem para morar, pois haverá redução de estudantes para fazer uma graduação, um mestrado ou mesmo um doutorado.
Da mesma forma, haverá menor oferta de empregos no país e muitas vagas passarão a ser ocupadas pelos próprios portugueses. Outro fator relevante é a desvalorização do real frente ao euro, o que aumenta o custo de vida para os brasileiros aposentados, que motivados pela segurança e pela qualidade de vida, escolhem Portugal para sua moradia. Como resultado desse novo cenário, o principal impacto econômico dessa redução da população brasileira, depois do turismo, será no mercado imobiliário português, principalmente no segmento de alugueis.
A quantidade de brasileiros em situação legal em Portugal realmente impressiona. A população brasileira residente no país, aumentou em 2019 pelo quarto ano consecutivo. São 151.304 brasileiros com autorização de residência. Segundo o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), “os brasileiros mantêm-se como a principal comunidade estrangeira residente no país, representando no ano passado 25,6% do total, o valor mais elevado desde 2012”.
Ainda segundo o SEF, esse aumento justifica-se pelo crescimento de novos títulos de cidadania emitidos “a cidadãos de nacionalidade brasileira (37,8% do total), um total de 48.796 brasileiros que procuram Portugal para juntar-se à família, trabalhar e estudar”. Por outro lado, o número de brasileiros barrados ao tentarem entrar em Portugal em 2019 aumentou 37,4% em comparação a 2018. Foram 3.965 brasileiros impedidos de entrar no país ainda no aeroporto, por não atenderem às exigências portuguesas, superando o total de barrados em 2018.
No final das contas, ainda é cedo para sabermos quantos brasileiros retornaram ou ainda retornarão para o Brasil e quantos deixarão de vir para Portugal em 2020, mas de qualquer forma, a pandemia afastará muitos e separou um pouco mais os brasileiros dos portugueses.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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