A vacinação em Portugal contra a Covid-19 avança e o governo estima que 70% da população adulta esteja vacinada antes do fim do verão europeu. A imunização portuguesa está um pouco acima da média dos países da comunidade europeia, que em um esforço conjunto no combate à doença, unificou a compra e a distribuição das vacinas, iniciando a campanha praticamente ao mesmo tempo nos países integrantes da zona do Euro.
No momento há quatro vacinas disponíveis em Portugal: Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen. Esta é a única que necessita de apenas uma dose para atingir a imunização, que ocorre 28 dias após sua aplicação. O plano de vacinação de Portugal acelerou depois de um período de escassez de vacinas e também da falta de conhecimento logístico para a imunização em massa.
A vacinação segue com boa evolução nas últimas semanas, chegando a vacinar mais de 90 mil pessoas por dia em território português. Entretanto, algumas das indicações e contraindicações de certas vacinas podem gerar num futuro próximo alguns problemas.
Estamos falando das vacinas da AstraZeneca e da Janssen. Quase 1 milhão de portugueses receberam a primeira dose da AstraZeneca. Entretanto, com a restrição tardia deste imunizante somente ser aplicado em pessoas com mais de 60 anos, muitos não retornaram para tomar a segunda dose. Já a vacina da Janssen tinha a recomendação de ser aplicada em pessoas com mais de 50 anos, mas foi liberada somente para homens e com idade abaixo dos 50.
Assim, restarão as vacinas da Pfizer e da Moderna para imunizar o restante da população com menos de 50 anos. O que pode ser um grande problema, pois muitos correm o risco de ficar sem a vacina e, por mais absurdo que pareça, algumas vacinas em estoque poderão ser perdidas.
Mesmo com os problemas existentes, a vacinação encaminha-se para atingir o seu objetivo inicial, que é o de obter a imunidade de grupo com 70% da população adulta vacinada. Até o momento, 7,5 milhões de vacinas foram aplicadas, sendo 4,5 milhões com a primeira dose e 2,4 milhões com as duas doses. Entretanto, a pandemia tem demonstrado fôlego, fazendo com que o número de casos de infectados venha aumentado de forma significativa em algumas regiões de Portugal, principalmente em Lisboa. A boa notícia é que o número de internações e óbitos não tem acompanhado esse crescimento.
A pandemia não acabou e os cuidados devem ser mantidos, pois não há garantias reais de que esse objetivo da imunidade de grupo será, de fato, atingido. Por isso mesmo, o governo passa a ser questionado sobre quais medidas deverá adotar caso tenhamos uma quarta onda ou surjam novas variantes do vírus após o verão. Portugal não quer ser pego de surpresa novamente, como ocorreu no início deste ano.