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Saúde

Pelé, Dinamite e eu: o que temos em comum?

Hoje no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os tumores de cólon e reto já são o terceiro tipo de câncer mais incidente na população brasileira, ficando atrás do de próstata e do de mama

Publicado em 27 de Janeiro de 2023 às 00:10

Públicado em 

27 jan 2023 às 00:10
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães Fernando Manhães
Pelé em jogo pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos
Pelé em jogo pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos Crédito: New York Cosmos / Divulgação
Recentemente tivemos duas grandes perdas no futebol brasileiro: o rei Pelé e Roberto Dinamite. Ambos vítimas do câncer de cólon do intestino. Talvez a mídia brasileira não tenha falado tanto desse tipo de câncer num espaço tão curto de tempo, como nas últimas semanas. Mesmo assim, o tema ainda é muito pouco conhecido pelas pessoas, fato que dificulta, em grande parte, a descoberta precoce e os tipos de tratamentos existentes.
Da mesma forma como Pelé e Dinamite, fui diagnosticado em 2010, aos 48 anos de idade, com um tumor maligno no intestino grosso, mais especificamente no sigmoide. Podemos dizer que o mesmo tipo de tumor (adenocarcinoma) atingiu a nós três. Lógico que em lugares diferentes no intestino. No meu caso, fui operado e realizei posteriormente, por sete meses, quimioterapia.
Sem entrar no campo médico, o que foi diferente para mim? Eu ganhei uma sobrevida até aqui e o Pelé e o Roberto Dinamite que faleceram? Sinceramente foi a prevenção. Lógico que outros fatores são importantes, mas, segundo o oncologista clínico do Hospital Sírio Libanês Paulo Hoff, “nenhum tumor nasce grande. Principalmente o tumor de cólon”.
Ocorre que os tumores benignos, chamados de adenomas, são pequenos pólipos no intestino, que podem sofrer uma mutação genética e se transformarem em malignos. Para que isso ocorra é necessário algum tempo e é aí que a prevenção faz todo o sentido. No passado esses tumores eram reconhecidamente “tumores de velhos”, e talvez por isso, não se justificasse um acompanhamento tão próximo.
Entretanto, a situação mudou bastante. Hoje no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer - INCA, os tumores de cólon e reto já são o terceiro tipo de câncer mais incidente na população brasileira, ficando atrás do de próstata e do de mama. No fundo ele acaba sendo o segundo tumor mais frequente na população, atingindo igualmente homens e mulheres. E aqui fica evidente a necessidade de conscientização da população, com campanhas de prevenção como a do outubro rosa para o câncer de mama e o novembro azul, para o câncer de próstata.
A prevenção do tumor de cólon requer a realização de uma colonoscopia periódica, que deverá ser prescrita pelo seu médico. É a forma mais prática para se combater o surgimento de novos tumores, mesmo os benignos, que serão retirados no exame. Para funcionar de verdade, não bastará somente a realização de campanhas de utilidade pública. Será necessário disponibilizar esse exame na rede pública de saúde, como um exame rotineiro. Mas isso requer investimento e vontade política.
Da mesma forma como os tumores aparecem em pessoas mais jovens, com o envelhecimento da população brasileira muitas vidas poderão ser salvas. Visite seu médico. Quem sabe num futuro próximo não poderemos ter um mês todo dedicado à prevenção do tumor do cólon?

Fernando Manhães

Fernando Manhães Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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