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É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque. Escreve aos sábados

Inovações nos fizeram viver mais depressa. Agora o desejo é viver mais

Nova globalização encurtou distâncias, deixando o mundo menor. Novos impactos sociais são muito difíceis de prever, mas certamente trarão coisas que nem imaginamos ainda

Publicado em 01/05/2021 às 02h00
Hoje pessoas são contratadas para trabalhar remotamente, independentemente de cidade
Hoje pessoas são contratadas para trabalhar remotamente, independentemente de cidade. Crédito: Fauxels/ Pexels

Em todas as revoluções tecnológicas há um desdobramento social inesperado, além do uso imediato da novidade.

Na primeira revolução, a máquina a vapor reduziu substancialmente o tempo de viagem entre os continentes, acelerando uma globalização incipiente, as ferrovias permitiram a aproximação também entre regiões do mesmo país e as novas indústrias substituíram os artesãos, criando o operariado com seus sindicatos e pressão social, a urbanização e mudando a geopolítica com a Inglaterra assumindo a liderança no mundo.

Na segunda revolução, a eletricidade introduziu a noite nas relações sociais, permitiu o rádio, a TV, o cinema, o telégrafo, o telefone e mudou as relações sociais, aproximando mais ainda as regiões e continentes. Criou também o elevador e verticalizou as cidades. O outro símbolo dessa revolução, a linha de montagem de Henry Ford, permitiu a produção em massa de bens, reduzindo o seu custo e criando o consumo de massa.

A terceira revolução, a dos computadores, possibilitou a computação pessoal e o surgimento da internet, do Google, do comércio eletrônico e das redes sociais, com todas as consequências na maneira de trabalhar, se divertir, namorar, comprar, vender, brigar e estudar.

A chamada quarta revolução industrial, já no século 21, acelerou tudo, e não só no mundo digital, mas também no biológico.

Um novo fenômeno social, que já vinha acontecendo, foi acelerado mais ainda pela pandemia. Pessoas são contratadas para trabalhar remotamente, independentemente de cidade, Estado ou país. Médicos atendem pacientes em qualquer lugar por telemedicina, que permite até cirurgia robótica à distância. Universidades e empresas de treinamento oferecem seus cursos fora das suas cidades ou regiões de origem. Gigantescos marketplaces digitais comercializam produtos de pequenos fornecedores, que não precisam nem sair das suas cidades para vender para o mundo. Softwares de tradução, que beiram a perfeição, permitem negócios onde a língua não atrapalha mais.

Antigamente, quando alguém se mudava para outro país ou até para outro Estado, os contatos se reduziam drasticamente. Os amigos de cada fase da vida ficavam esquecidos nas fases seguintes, hoje você mantém as amizades por toda a vida, compartilhando reminiscências, fotos, vídeos e opiniões nas redes sociais.

Você agora pode morar em uma pequena cidade do interior, vender para o mundo todo e comprar de qualquer lugar, falar de graça pelo mundo, fazer os cursos que quiser, assistir aos filmes recentes, ler os livros recém-lançados e os jornais do mundo, visitar digitalmente qualquer lugar e saber qualquer informação. É a nova globalização, deixando o mundo menor, e a nova nacionalização, aproximando as regiões e os cidadãos do país, com a possibilidade real de redução de um dos aspectos das desigualdades regionais: o acesso à informação.

Os novos impactos sociais que vão acontecer nos próximos anos são muito difíceis de prever, certamente coisas que nem imaginamos ainda.

Alexandre Dumas, pai, antecipou tendências: “Suprimir a distância é aumentar a duração do tempo. A partir de agora, não viveremos mais; viveremos apenas mais depressa”. Mas ele viveu em outra época. Se o mundo digital nos faz viver mais depressa, das inovações do mundo biológico se espera o que mais importa: viver mais, para aproveitar tudo isso.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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