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É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque. Escreve aos sábados

Com tudo ainda por fazer, Brasil é o sonho do empreendedor

País tem 210 milhões de habitantes ainda consumindo pouco, com espaço enorme para identificar oportunidades. Mas tem que ter obstinação para encarar a burocracia

Publicado em 21/11/2020 às 04h00
Empreendedorismo, ideia
Brasil desde sempre foi uma terra de empreendedores . Crédito: Divulgação

Em evento do Ibef Academy, o CEO da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, deixou a dica final para os participantes: o Brasil é o sonho do empreendedor. Aqui tudo está por fazer, o país tem 210 milhões de habitantes ainda consumindo pouco, cheio de monopólios e um espaço enorme para identificar oportunidades. Vá tentar empreender na Califórnia, disse ele, onde tudo já funciona e o sarrafo é lá em cima. Muitos dos seus amigos que foram para fora já começam a pensar em voltar.

Realmente. Apesar de todos os perrengues que passamos, para quem tem o espírito empreendedor, aqui é o paraíso, mas tem que ter obstinação, palavra que ele usou muito. Para quem gosta de chorar e reclamar, há bastante espaço. Afinal não é fácil encarar a burocracia, as coisas que não andam, as perspectivas que não acontecem.

Mas o exemplo recente do maranhense Ilson Mateus, que construiu do zero uma rede de atacarejo, o Grupo Mateus, que hoje tem 137 lojas e emprega mais de 20 mil funcionários, mostra o que é possível acontecer neste país. Seu recente IPO na Bolsa movimentou R$ 4,6 bilhões e colocou Ilson Mateus entre os 10 mais ricos do país.

Aqui no Espírito Santo também temos nossos empreendedores, muitos deles nem nascidos aqui, começando sem herança, sem padrinho e alguns até que não tiveram condição de avançar nos estudos escolares, mas avançaram nos estudos da vida. Eles aproveitaram como puderam essa terra de oportunidades criando empresas, em todos os setores, que se aventuram para fora do estado e até do país.

Entre elas: Águia Branca, MedSenior, Autoglass, Unicafé, Motociclo, Pelicano, RealCafé, Incospal, Gazeta, Imetame, Simonetti, Zucchi, Universal, Fibrasa, Biancogres, Movelar, Frioar, Marca Ambiental, Comprocred, Guidoni, Buaiz, Cobra D’Água, ISH, TimeNow, muitas empresas dos setores de supermercados, educação, construção civil e laboratórios além de centenas de empreendedores organizados em cooperativas e outros mais que vão me perdoar se esqueci de citar. E a nova geração de startups com Wine.com e Picpay sinaliza um reforço na tendência. São elas que criam riqueza, emprego e renda enquanto os governos passam.

Logo também haverá empresas capixabas batendo martelo na bolsa de valores. Esse é o caminho, aberto com a redução das taxas de juros que tira os investidores da acomodação da renda fixa e cria um novo ritmo de investimentos de risco.

Diante das dificuldades da política para o país acertar o rumo, o espírito animal que Keynes citava prevalece. Não se trata de otimismo inconsequente, afinal melhor seguir Ariano Suassuna, para quem o otimista é um tolo, o pessimista um chato e melhor é ser um realista esperançoso.

No seu livro "A História da Riqueza no Brasil", Jorge Caldeira mostrou que o Brasil desde sempre foi uma terra de empreendedores, embora a história antigamente só registrasse os negócios que se relacionavam com Portugal, deixando de fora aqueles que movimentavam uma rede paralela altamente eficiente.

Esse espírito empreendedor também acontecia aqui no Espírito Santo e pelo que vemos, permanece com força. Trabalha e confia.

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