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Evandro Milet

A tortura cultural dos livros

Com o grande aumento dos títulos publicados hoje, é uma tortura e uma frustração visitar uma boa livraria

Publicado em 05 de Janeiro de 2019 às 00:24

Públicado em 

05 jan 2019 às 00:24
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet Evandro Milet
Livros Crédito: Divulgação

A casa dos meus pais sempre foi cheia de livros. Clássicos, policiais, aventuras, romances, economia, política, história, esotéricos, eróticos, biografias, best-sellers ou não. Por consequência, na minha casa e na dos meus três irmãos há sempre uma estante para guardar, com muito ciúme, tudo que já lemos ou tudo que compramos e nunca lemos porque a compulsão de ler é sempre maior que a capacidade real. Acrescente-se os títulos de inovação e gestão que a atividade profissional obriga.

Com o grande aumento dos títulos publicados atualmente, é uma tortura e uma frustração visitar uma boa livraria, como a Travessa no Rio, e perceber que não conseguirá ler tudo o que gostaria. Pena não termos em Vitória uma livraria desse padrão e tamanho, para servir inclusive de lazer para quem gosta de folhear e ter pelo menos uma ideia daquilo que não terá tempo ou gosto de ler. Aliás, como dizia Stanislaw Ponte Preta: “Basta ler meia página do livro de certos escritores para perceber que estão despontando para o anonimato.”

Tenho tentado o e-book, principalmente para aproveitar a mágica atual de comprar um livro na Amazon no mesmo momento que ele é lançado mundialmente. Mesmo acompanhando tudo o que acontece no mundo da tecnologia, não deixo de me impressionar com certas coisas. Mas falta algo no e-book para ter o encanto do livro físico, ou é questão de costume mesmo. É sempre um prazer organizar os livros em casa por tema, tarefa aliás que nunca termina porque a gente acaba se distraindo ao rever um que dá saudade e para por ali mesmo folheando. Já tentei pedir para minha funcionária passar um pano e arrumar os livros na estante. Infelizmente, para meu desespero, ela organizou todos pela cor da capa: os vermelhinhos todos juntos, depois os azuizinhos e assim por diante.

É um prazer também tentar transformar em artigos e crônicas aquilo que já lemos ou vivemos e um dos planos para 2019 é juntar tudo, ou parte, do que já escrevi aqui em A GAZETA em um livro. Uma vaidade talvez, mas gosto do que disse o grande Jorge Luis Borges: “Que os outros se orgulhem das páginas que escreveram. Eu me orgulho das que li.”

Dizia o jornalista Telmo Martino que “Tudo que é fácil de ler é difícil de escrever – e vice-versa”. Escrevendo e reescrevendo cada texto aqui vem sempre essa frase à mente junto com outra de Mário Quintana: “Estilo é a deficiência que faz um sujeito escrever sempre do mesmo jeito”. Longe de querer comparar, é um exercício gostoso tentar escrever simples e diferente. Acaba sendo um grande prazer estar aqui com vocês todos os domingos. Feliz 2019.

Evandro Milet

Evandro Milet Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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