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Evandro Milet

A marolinha está custando caro à economia, mas há perspectiva de melhora

Mesmo setores fortemente afetados pela crise conseguem se reinventar, com inovação e gestão eficiente

Publicado em 06 de Abril de 2019 às 00:56

Públicado em 

06 abr 2019 às 00:56
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

Perspectiva de crescimento da economia Crédito: Divulgação
Empresários atuantes perguntam sempre o que fazer na situação atual. A primeira preocupação é a sobrevivência, considerando que muitos não conseguiram e se foram em meio a 200.000 lojas fechadas no país e inúmeras indústrias de vários setores quebrando.
A preocupação atinge os empregados dessas empresas, que engrossaram a massa de 13 milhões de desempregados após o desastre do desgoverno Dilma. Só quem não se preocupa são os funcionários públicos, com estabilidade, que podem dormir sossegados e têm tempo para defender os seus privilégios, em um corporativismo indecente, nas discussões da reforma da Previdência.
Resta aos empresários que tentam uma saída decifrar os fracos sinais de oportunidades que ainda existem. Alguns setores prometem. Petróleo e gás, depois das desastradas decisões de mudança de marco regulatório no governo do PT que quebraram inúmeras empresas, volta a animar o mercado com sucessivas rodadas que atraem novas operadoras estrangeiras e reanimam as que permaneceram. A previsão é que a produção brasileira de petróleo cresça 100% nos próximos dez anos.
Outro setor promissor é a logística, com seus caminhões e centros de distribuição, considerando o crescimento vertiginoso do comércio eletrônico, onde o Brasil ainda está muitos pontos percentuais atrás dos países desenvolvidos.
O mundo digital também promete. Todos os setores estão sendo atingidos pela transformação digital, abrindo oportunidades para startups e para fornecedores de software, equipamentos de computação e telecomunicações. São muitas novas tecnologias, capitaneadas pela inteligência artificial, internet das coisas, big data, analytics, blockchain, todas se expandindo simultaneamente e modificando tudo.
Os setores exportadores sempre podem ter oportunidade, afinal, o mercado brasileiro representa em torno de 3% do mercado mundial, os outros 97% estão fora e muitos países saíram da crise de 2008 e crescem consistentemente. A barbeiragem da marolinha está custando muito caro ao povo brasileiro. O agronegócio de exportação e toda a cadeia associada tem espaço para crescer, mesmo com as deficiências de infraestrutura logística.
Mas chama a atenção que mesmo em setores fortemente afetados pela crise, alguns conseguem se reinventar, promovem inovações, implantam modelos de gestão eficientes, mudam o modelo de negócio, criam uma fidelização dos clientes, envolvem colaboradores no aumento de produtividade e passam batido pela crise.
Tem que estar antenado nas tendências tecnológicas e sociais e procurar entender por que enquanto alguns choram, outros vendem lenços.
A marolinha está custando caro à economia, mas há perspectivas de melhoras em alguns setores

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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