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É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque. Escreve aos sábados

A crise do coronavírus provocou a disrupção dos disruptivos

No meio da pandemia, muitas empresas de aplicativos sofreram um baque, não porque apareceu um concorrente novo, mas simplesmente porque seu mercado desapareceu

Publicado em 02/05/2020 às 05h00
Atualizado em 02/05/2020 às 05h00
Loja de aplicativos no celular
Loja de aplicativos no celular. Crédito: Divulgação

A pandemia da Covid-19 provoca um terremoto no mundo das startups e seus unicórnios. A WeWork, para aluguel de escritórios, já estava fazendo água quando foi atingida pelo home office e ficou sem rumo, com valor de mercado caindo de US$ 67 bi para US$ 8 bi. O AirBnb sofria transformações há tempos, crescendo além da pura “sharing economy”, onde proprietários alugavam quartos ou casas de veraneio, para um modelo onde investidores compravam imóveis para alugar pelo aplicativo e empresas imobiliárias administravam volumes crescentes de imóveis.

Aplicativos de reservas de hotéis passaram a incluir residências semelhantes no seu portfolio. O crescimento do modelo provocava reações em grandes cidades turísticas onde a febre de alugar residências incentivava proprietários a se mudar para longe, deixando as regiões mais procuradas por conta dos turistas, desfigurando as cidades. Mas o coronavírus atingiu violentamente todo o setor de turismo, parando a aviação, esvaziando os hotéis e deixando os espertos investidores da “sharing economy” fake com pilhas de imóveis sem uso. O AirBnB viu uma queda de 40% nas reservas, já no meio de março. Imagina agora.

O corte de pessoal também atingiu outros nomes de peso do mercado. A Gympass, que ano passado recebeu um aporte da SoftBank e se tornou um unicórnio - companhia avaliada em mais de US$ 1 bilhão - sofreu com o fechamento de academias e reduziu seu quadro em algo perto de 30%.

A MaxMilhas, também impactada pela parada no setor de viagens, encolheu a equipe em mais de 40%. A Quinto Andar, de aluguel de imóveis, demitiu cerca de 8% de seu quadro de funcionários e a americana Eventbrite, de eventos, fechou suas portas no Brasil. O Uber também é atingido pelo sumiço das pessoas circulando e o questionamento sobre novas rodadas de investimento aumenta, considerando que a empresa já era contestada pela baixa lucratividade antes da pandemia.

Aplicativos de micromobilidade, patinetes e bikes também sofrem. Estão bem os aplicativos de entrega de comida, entretenimento, lives e reuniões virtuais e e-commerce.

Com o abalo geral, também os investidores se retraem, o que provoca redução do valor das empresas. Enfim, os disruptivos sofrem uma disrupção, não porque apareceu um concorrente novo, mas simplesmente porque seu mercado desapareceu.

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