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É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque. Escreve aos sábados

A ciência tem que desfilar com destaque em carro aberto

Talvez a ciência nunca tenha estado tão em evidência como agora, na pandemia. De outro lado, os obscurantistas acompanham os pajés da política com seus remédios milagrosos e seu negacionismo na saúde e no meio ambiente

Publicado em 18/07/2020 às 05h00
Atualizado em 18/07/2020 às 05h00
Cientistas estudam vacina contra o coronavírus
O trabalho dos cientistas está ainda mais em evidência nesse período de pandemia. Crédito: Polina Tankilevitch/ Pexels

Após a comprovação da Teoria da Relatividade Geral em 1919 (por um eclipse em Sobral no Ceará), Einstein foi pela primeira vez aos Estados Unidos, em 1921, em um evento singular na história da ciência, e extraordinário para todas as áreas: uma grande marcha de dois meses de duração pelo leste e meio-oeste dos Estados Unidos, que fazia lembrar o frenesi e a adulação da imprensa seguindo o turnê de uma estrela do rock, com direito a desfile em carro aberto pelas ruas de Nova York.

A descrição da viagem, na biografia de Albert Einstein escrita por Walter Isaacson, mostra o prestígio e a importância dada à ciência e aos cientistas 100 anos atrás, nos Estados Unidos.

E não é fácil entender a Teoria da Relatividade. Na estreia de Luzes da Cidade, em Hollywood, em 1931, onde chegaram juntos, Charles Chaplin observou para Einstein, de forma memorável (e precisa): “Eles me aplaudem porque me entendem, e o aplaudem porque ninguém o entende”.

Quase 200 anos antes, em 1727, sir Isaac Newton era sepultado na Abadia de Westminster em um funeral digno de um rei. Alexander Pope, um dos maiores poetas britânicos da história, escreveu os dizeres para o seu túmulo (apesar do que não foi permitido colocá-lo na Abadia de Westminster): “A natureza e as leis da natureza estavam imersas em trevas; Deus disse: 'Haja Newton' e tudo se iluminou”.

Por muitos considerado o maior cientista que já viveu, Newton formou-se em 1664 e ganhou uma bolsa de pós-graduação para continuar na universidade. Mas sua estadia em Cambridge foi interrompida pela grande praga de Londres que matou quase 100.000 pessoas e que o obrigou a ficar em casa.

Confinado por 18 meses, desenvolveu ideias de matemática e ótica, e começou a trabalhar na Lei da Gravitação Universal. Em 1667, concluiu a formulação do Cálculo Diferencial e Integral, um de seus mais importantes trabalhos (entre muitos outros fundamentais na Matemática, na Física e na Astronomia).

Esperamos que esse surto de criatividade acometa também muita gente confinada nesse período de pandemia que vivemos. E que a ciência seja valorizada. Talvez a ciência nunca tenha estado tão em evidência como agora, onde todo o mundo acompanha ansioso notícias diárias dos cientistas sobre vírus e vacinas enquanto, de outro lado, os obscurantistas acompanham os pajés da política com seus remédios milagrosos e seu negacionismo na saúde e no meio ambiente.

É fundamental que o Brasil avance no ensino das disciplinas do STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) para que não fiquemos, em pleno século 21, replicando charlatães na internet e com desfiles em carro aberto e funerais concorridos só para políticos populistas, astros de rock (ou de funk) e jogadores de futebol - tudo bem, alguns até merecidos.

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